Buenos Aires, 13 (AE) - Faltando uma semana e meia para as eleições, Eduardo Duhalde, o candidato do partido do governo, o Partido Justicialista (mais conhecido como "peronista") está recuperando parte do terreno que havia perdido para o candidato da coalizão de oposição Aliança UCR-Frepaso, Fernando De La Rúa.
Segundo uma pesquisa da Gallup, em duas semanas, a diferença entre os dois caiu de 19% para 12%. De la Rúa teria 43% das intenções de voto, enquanto que Duhalde possuiria 31%. O ex-ministro da Economia, Domingo Cavallo, candidato pelo partido que ele próprio criou, o "Ação pela República", subiu de 8% para 10%.
Analistas consideram que a recuperação de Duhalde não se deve à uma virada na campanha, mas somente à consolidação do voto peronista.
Considera-se que o piso histórico do peronismo seja de 36%, que foi até hoje o pior desempenho em uma eleição (a eleição parlamentar de 1997).
Duhalde estaria recuperando-se nas classes sociais mais baixas da sociedade argentina. Mesmo com essa recuperação, o candidato do governo estaria muito abaixo do que um candidato peronista já obteve em todas as eleições presidenciais (o derrotado Ítalo Luder, em 1983, com 41% dos votos).
A atenção dos analistas e pesquisadores também está focalizada na acirrada disputa pelo governo da província de Buenos Aires, que concentra 38% do total de eleitores do país. Ali, segundo o Centro de Opinião Pública (CEOP), a candidata da coalizão Aliança UCR- Frepaso, Graciela Fernández Meijide, possui 37,7% das intenções de voto, contra 33,1% de Carlos Ruckauf, candidato do partido peronista.
Nesta reta final, Ruckauf, atualmente vice-presidente do país, causou polêmica ao sugerir que os eleitores da Aliança que fossem votar em De la Rúa para presidente votassem nele para governador em vez de Meijide, que é mãe de um desaparecido da Ditadura. Desta forma, Ruckauf propunha o voto diferenciado para governador e presidente, o que implica no corte da cédula eleitoral, o que prejudicaria Duhalde. Apesar das tentativas de explicações, as declarações de Ruckauf explicitam as péssimas relações que possui com Duhalde, e que, a poucos dias das eleições, vale tudo.
Paradoxalmente, Ruckauf e Meijide não possuem um destacado apoio de seus candidatos a presidente: os analistas consideram que Meijide, integrante do Frepaso, como governadora da principal província do país, seria um desequilíbrio na frágil coalizão UCR- Frepaso, o que não conviria a De La Rúa, da UCR.
Para Ruckauf, a vitória poderia torná-lo no novo líder do peronismo, fato que não conviria a Duhalde, eventual derrotado na eleição nacional, ou mesmo ao presidente Menem, que considera seu vice como um traidor.

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