Diminui apoio de judeus ex-soviéticos a Netanyahu
Jerusalém, 13 (AE-AP) - O tradicional apoio desfrutado pelo primeiro-ministro Benjamin Netanyahu entre judeus ex-soviéticos está declinando, afirmou hoje (13) o ex-dissidente soviético que lidera um poderoso partido de imigrantes.
Netanyahu, em difícil posição nas pesquisas de intenção de voto para as eleições de segunda-feira, vem cortejando fortemente o apoio de seu amigo próximo Natan Sharansky, tendo oferecido a seu partido três ministérios, segundo notícias.
Sharansky recusou peremptoriamente nesta quinta-feira, dizendo que a neutralidade era crucial para um partido que busca o melhor acordo pós-eleitoral possível.
"Acredito que se eu mudar esta decisão, o partido irá simplesmente desmoronar", disse ele.
Mostrando números extraídos de pesquisas patrocinadas por seu partido, Israel BAliya, Sharansky afirmou que Netanyahu tem perdido apoio nas últimas semanas entre imigrantes da antiga União Soviética, que somam cruciais 15% do eleitorado.
"Netanyahu foi dominante por muito tempo na rua russa", disse Sharansky, também o ministro da Indústria e Comércio, numa entrevista coletiva. Nos últimos dias, a vantagem de Netanyahu frente aos demais candidatos entre os russos caiu de 65% para 55%.
Netanyahu tinha contado com o sólido apoio russo para compensar a perda de voto em seu Partido Likud entre membros desiludidos com sua liderança.
Sharansky advertiu que o voto dos imigrantes era "fluido" e a maioria dos partidários de seu Israel BAliya não mudou a visão nacionalista que os levaram a apoiar as políticas linhas-duras de Netanyahu no passado.
"A situação não será clara até o último dia", afirmou Sharansky.
O principal rival de Netanyahu, o pacifista Ehud Barak, aparece com cerca de 45% das preferências gerais nas pesquisas. Se conseguir apoio suficiente entre imigrantes russos, ele pode conquistar mais do que 50% dos votos na segunda-feira mesmo se outros três candidatos menores continuarem na disputa.
Se nenhum candidato conseguir mais de 50% dos votos, haverá um segundo turno em 1º de junho. Netanyahu busca o segundo turno, na esperança de aproveitar o período entre as duas votações para se recuperar.
Suas chances parecem ter aumentado quando um candidato centrista insistiu que não irá abandonar o pleito.
Yitzhak Mordechai tem apenas um dígito de apoio nas pesquisas, mas garante que não desistirá.
Mordechai foi demitido por Netanyahu do cargo de ministro da Defesa no começo do ano. Ele uniu-se a outras figuras cujo principal objetivo era derrotar Netanyahu e formar um Partido Centrista.
Alguns dos colegas de Mordechai no Partido Centrista têm pedido a ele que se retire da disputa já que não tem chances de vitória.
"Quem quiser partir, que levante e vá", teria dito Mordechai numa reunião com três líderes partidários, segundo o diário Yediot Aharonot. "Eu não vou mudar minha decisão".
Dois outros candidatos nanicos afirmaram hoje que ainda continuam na disputa, mas rumores apontam que eles podem desistir no fim de semana. Eles têm até a manhã de segunda-feira para sair da disputa.
A boa notícia de hoje para Netanyahu foi a garantia do endosso dos dois partidos ultraortodoxos. Os ultraortodoxos controlam pelo menos seis por cento dos votos.
Anunciando seu apoio, o líder espiritual do United Torah Judaism lançou um novo slogan: "Netanyahu é bom para o judaismo".
O Shas, o outro partido ultraortodoxo, havia anunciado seu apoio na quarta-feira.





