Diminuem as diferenças sobre força de paz
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quinta-feira, 06 de maio de 1999
Por Barry Schweid, redator diplomático 
Washington, 07 (AE-AP) - Com os Estados Unidos e a Rússia superando divergências sobre uma força de paz para Kosovo, o presidente Bill Clinton disse hoje (07) que aliados ocidentais não deveriam mudar sua fórmula para uma solução e não deveriam nem "adicionar nem subtrair das condições básicas".
Ele sugeriu que o plano de paz adotado na Bósnia poderia ser um modelo para Kosovo. "O que fizemos na Bósnia foi funcional"
afirmou o presidente.
Na Bósnia, o comando foi dividido em três vias, com os Estados Unidos e a Rússia sendo responsáveis por uma área geográfica, Grã-Bretanha por outra e a França pela terceira.
"Pode haver alguma outra forma de se fazer em Kosovo", disse Clinton. "Não quero pré-julgar todos os detalhes".
Houve hoje uma aceleração dos desdobramentos no front diplomático.
O secretário-geral da ONU, Kofi Annan, arranjou um encontro hoje na capital americana com a secretária de Estado, Madeleine Albright, sobre a recém-energizada diplomacia e o subsecretário de Estado Strobe Talbott está voando para Moscou para novas conversações com altos oficiais russos.
Clinton disse que qualquer plano de paz tem de seguir as condições estabelecidas pela Otan para a retirada das forças sérvias, o retorno dos refugiados, autonomia política para os albaneses étnicos e o estacionamento de uma força de segurança internacional liderada pela Otan.
"Penso que é importante para os Estados Unidos e nossos aliados nem acrescentar nem subtrair das condições básicas que temos dito todo o tempo que são essenciais para fazer isto funcionar", disse o presidente.
Até onde chegará a nova iniciativa diplomática depende grandemente do presidente iugoslavo, Slobodan Milosevic, cuja reação preliminar foi cautelosa.
"Acreditamos que uma solução justa em todas as questões em aberto pode ser alcançada através do processo político de conversações diretas", teria dito ele na quinta-feira, segundo a mídia estatal sérvia, sem entrar em detalhes.
Inicialmente intransigente em relação a qualquer força internacional em território sérvio, Milosevic já ofereceu a admissão de alguns observadores desarmados ou levemente armados sob a égide das Nações Unidas. Oito ministros do Exterior que reuniram-se na quinta-feira em Bonn, Alemanha, falaram do "estacionamento em Kosovo de uma efetiva presença internacional civil e de segurança", o que para a Otan significa uma força militar bem armada com a Otan em seu núcleo.
Não houve menção a tropas da Otan no comunicado divulgado pelos Estados Unidos, Rússia, Grã-Bretanha, Canadá, França, Alemanha, Itália e Japão. Mas oficiais dos EUA disseram que eles farão parte do contingente que iria proteger o retorno dos refugiados albaneses étnicos.
Nos próximos dias será dado início à elaboração de uma resolução da ONU sobre Kosovo para discussão entre os oito ministros do Exterior. Este processo pode levar semanas, e a resolução não seria submetida ao Conselho de Segurança até que exista uma acordo final entre a Rússia e os Estados Unidos.
Enquanto espera uma reação de Milosevic, o Pentágono anunciou que o secretário de Defesa William Cohen ordenou que outros 176 aviões da Força Aérea e do Corpo da Marinha unam-se ao esforço aliado na Iugoslávia.
O novo plano de paz visa convencer Milosevic enquanto garante que os atormentados refugiados albaneses étnicos possam voltar em segurança para suas casas.
Ele também poderia dar à Rússia, China e outros membros do Conselho de Segurança da ONU o direito de opiniar sobre a missão das tropas e possivelmente limitar as armas e a força que possam usar para proteger a volta dos refugiados.
Parece haver poucas dúvidas de que a força irá incluir um expressivo contingente dos EUA, como houve na vizinha Bósnia.
A inicialmente planejada força de 28.000 membros para Kosovo é agora considerada pequena demais para monitorar os resentimentos pós-guerra que poderia explodir em violência mesmo depois que a maioria das tropas e unidades paramilitares sérvias saírem da província.
A força poderia ser expandida para 60.000, com uma proporcionalmente maior participação dos EUA do que os 4.000 considerados no início.
Tropas da Rússia, Ucrânia e outros países amigos da Iugoslávia serão provavelmente incluídas, e possivelmente de nações da Otan como a Grécia e Portugal, que não se engajaram ativamente nos ataques de seis semanas da Otan contra os sérvios.


