'Dilúvio' deixa ao menos 16 mortos e outros 33 desaparecidos na Baixada Santista
Entre as vítimas está um bombeiro soterrado quando tentava salvar mãe e um bebê; nas últimas 12 horas choveu 282 mm no Guarujá
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quarta-feira, 04 de março de 2020
Entre as vítimas está um bombeiro soterrado quando tentava salvar mãe e um bebê; nas últimas 12 horas choveu 282 mm no Guarujá
Folhapress 
São Paulo - O temporal que atingiu a Baixada Santista, entre a noite de segunda-feira (2) e a madrugada desta terça (3), matou ao menos 16 pessoas, deixou outras 33 desaparecidas e causou muitos estragos. A região chegou a registrar 46 desaparecidos. Esse número caiu no final da tarde porque as pessoas tidas como sumidas foram encontradas com vida horas depois.

Até as 17h, as equipes de resgate contabilizavam 14 mortes em Guarujá, 1 em Santos e outra em São Vicente. Guarujá e São Vicente decretaram estado de calamidade pública e suspenderam as aulas nas suas escolas até que os problemas estruturais causados pela chuva sejam resolvidos.
Entre os mortos em Guarujá está um bombeiro. Ele morreu soterrado no Morro do Macaco Molhado no momento em que tentava salvar um bebê e a mãe dele que estavam sob uma montanha de lama e pedra.
Mãe e filho não resistiram e morreram, e o bombeiro perdeu a vida após uma segunda movimentação de terra no morro. Outro profissional da corporação também foi soterrado e é considerado desaparecido.
Segundo Marcos Palumbo, porta-voz do Corpo de Bombeiros, cerca de 113 homens da corporação vasculham oito áreas afetadas de Santos, Guarujá e São Vicente.
"O terreno está muito encharcado e pode causar novos deslizamentos de terra. O local é muito perigoso, mas as equipes continuam na execução dos trabalhos e na busca de vítimas", afirmou Palumbo.
PROBLEMAS NO TRÂNSITO
Além dos deslizamentos, a chuva causou problemas nas rodovias Anchieta, Cônego Domênico Rangoni e Doutor Manuel Hipólito Rego, que ligam a capital ao litoral.
O VLT da Baixada Santista - entre Santos e São Vicente - teve sua operação paralisada na manhã desta terça por causa de um deslizamento de terra perto do túnel que faz a ligação entre as duas cidades. Já o sistema de balsas não foi afetado.
Em Santos, o temporal inundou as avenidas que dão acesso à cidade e provocou um congestionamento de carros, ônibus e caminhões na entrada do município.
Em entrevista à rádio CBN, o prefeito Paulo Alexandre Barbosa (PSDB), disse que a prioridade é o atendimento às vítimas. "Principalmente nos morros, que foram mais impactados com obstrução de vias e escorregamentos".
Foram inundadas as avenidas Martins Fontes, com todas as faixas das pistas 1, 2 e 3 -elas ficaram intransitáveis entre a rodovia Anchieta e a rua Pio 12, assim como na chamada curva da Sancap; e a avenida Nossa Senhora de Fátima, nos dois sentidos.
Também houve um bloqueio para o trânsito de veículos na região central da cidade, na avenida Visconde de São Leopoldo com a praça dos Andradas.
A chuva provocou deslizamentos em vários morros da cidade, nas regiões de Santa Maria, São Bento, Vila Progresso e Monte Serrat. Neste último, um bloco de rocha rolou e será fragmentado para ser removido.
No Jardim Piratininga, uma árvore de grande porte caiu e mobilizou a Defesa Civil, que foi até o local socorrer moradores do bairro.
Todas as equipes da Defesa Civil, inclusive funcionários que estavam de folga, estão nas ruas socorrendo moradores afetados pela chuva. Bombeiros da cidade também atendem dezenas de ocorrências.
O governador João Doria (PSDB) disse ter acompanhado as operações de resgate desde o início da manhã no Centro de Gerenciamento de Emergências da Defesa Civil de São Paulo antes de se dirigir à região.
TEMPESTADE
De acordo com dados da Defesa Civil paulista, nas últimas 12 horas choveu 282 mm, em Guarujá; 218 mm, em Santos; 170 mm, em Praia Grande; 169 mm, em São Vicente; 160 mm, em Mongaguá; 132 mm, em Cubatão; e 110 mm, em Bertioga.
A previsão para toda esta terça é de chuva moderada a forte em todo o litoral paulista, incluindo a Baixada Santista devido a formação de uma área de baixa pressão e a circulação de ventos em altos níveis da atmosfera.


