Londrina - Segundo o ginecologista José Carlos de Jesus Conceição, do HC III do Instituto Nacional de Câncer (Inca), no Rio de Janeiro, apesar da grande eficácia da vacina, é essencial que as meninas não deixem de seguir outras recomendações para evitar o câncer do colo do útero.
"Não se pode esperar da vacina contra o HPV uma redução de 100% na incidência de câncer. Por isso, é muito importante lembrar que o exame de Papanicolau (preventivo) precisa continuar a ser feito regularmente, mesmo para as mulheres que se vacinarem, porque não se pode garantir que a chance de ter câncer estará anulada", explica.
Conceição afirma que estudiosos de epidemiologia, baseados em cálculos estatísticos, estimam que a redução dos casos de câncer do colo do útero na população feminina, em geral, poderá ser da ordem de 70% com a difusão do uso da vacina. "Acredita-se que a quase totalidade dos casos de câncer do colo do útero estão relacionados à infecção pelo HPV. A infecção pelo HPV é preocupante, porque atua induzindo transformações no tecido normal. Mas é preciso lembrar que não basta haver a infecção pelo HPV para desenvolver o câncer; muitos outros fatores, genéticos e ambientais, devem concorrer, como multiplicidade de parceiros sexuais e tabagismo. Com base nesses fatos podemos deduzir que a prevenção e o combate ao câncer envolvem várias medidas, como vacina anti-HPV, exames preventivos regulares, seleção de
parceiros sexuais e não
fumar."
Na maioria dos casos de câncer do colo do útero, a doença não se desenvolve de maneira súbita. "O tecido normal passa por uma série de transformações e vai adquirindo aspectos anormais, progressivamente, até que se instale o câncer. Esse processo pode levar anos para que o tecido normal se transforme em câncer. Além disso, essas transformações podem ser diagnosticadas e tratadas antes que cheguem a se constituir uma doença maligna", comenta, complementando que a maioria das mulheres infectadas pelo HPV jamais chegará a ter câncer, já que o próprio sistema imunológico se encarrega de eliminar o vírus espontaneamente.
Conforme Conceição, a infecção pelo HPV pode se manifestar com o aparecimento de verrugas genitais, que podem ser volumosas, dolorosas e até sangrarem. Não são malignas, mas causam muito sofrimento.
O HPV é um vírus transmitido pelo contato direto com pele ou mucosas infectadas por meio de relação sexual. Também pode ser transmitido da mãe para filho no momento do parto. Estimativas da Organização Mundial da Saúde (OMS) apontam que 290 milhões de mulheres no mundo são portadoras da doença, sendo 32% infectadas pelos tipos 16 e 18. Em 2011, 5,1 mil mulheres morreram em decorrência da doença no Brasil.(M.T.)

mockup