Mesmo com as prisões dos dez brasileiros envolvidos com terrorismo, a coordenadora do curso de Relações Internacionais do Centro Universitário Internacional Uninter, de Curitiba, Caroline Viana e Silva, enfatiza que o maior perigo "vem de fora". Segundo ela, a estratégia do Estado Islâmico é difundir sua ideologia por redes sociais e ganhar adeptos, em todo o mundo, que estejam dispostos a doar a própria vida pela causa.
A cientista política lembra que, em junho, o Estado Islâmico criou nas redes sociais o primeiro canal para disseminação de propaganda jihadista em português, voltado para o público brasileiro. Desde então, seguidores do grupo passaram a disseminar a incitação de atos terroristas por um grupo que se autointitula "Ansar al-Khilafah Brazil", que se apresenta como baseado no País.
Na análise de Caroline, o Brasil não é o alvo prioritário de grupos terroristas como o Estado Islâmico, mas sim os Jogos Olímpicos. "Eles procuram um grande evento, um palco para mostrar sua ideologia. Aqui teremos delegações de muitos países. É uma grande vitrine", comentou. Além dos grupos organizados, outro desafio para as autoridades, segundo ela, será combater os "lobos solitários". "São pessoas que se identificam com a causa e agem sozinhas. Não trocam mensagens ou dão sinais que vão atacar", comparou.
Caroline avalia que as prisões são um sinal de que as autoridades brasileiras estão atentas, mas, para ela, será necessário fazer muito mais para blindar o evento. "A própria polícia admitiu que se trata de um grupo amador, o que não é uma característica de grupos treinados pelo Estado Islâmico. O nível de segurança terá que ser muito maior", advertiu. "O Brasil só começou a monitorar os voos domésticos depois do atentado de Nice (França). Mesmo com o maior perigo vindo de fora, não quer dizer que podemos relaxar na segurança interna. Às vezes, temos mais sorte que juízo", avaliou.
A prisão do suposto líder do grupo terrorista em Curitiba coloca, de certa forma, o Paraná no mapa do terrorismo. Caroline lembra que a região de tríplice fronteira, que separa Foz do Iguaçu da Argentina e do Paraguai, é considerada como um ponto de preocupação para os serviços de inteligência dos Estados Unidos. "O governo brasileiro sempre negou que a região de Foz pudesse abrigar células terroristas, como apontou relatórios americanos. Agora, quem sabe, haja uma maior investigação de terroristas no Paraná."

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