São Paulo, 18 (AE) - O cotidiano das professoras da Escola Indígena Guarani Guyra Pepó, na região de Parelheiros, São Paulo, é marcado pelo desafio de encontrar o equilíbrio entre a necessidade de ensinar português e matemática a 96 crianças e o respeito aos hábitos e à cultura delas. A escola fica dentro da aldeia guarani de Morro da Saudade, está vinculada a uma escola regular, a Belchice Manhães Reis.
"Adaptamos nossa estrutura à da aldeia. Os professores dão aula dentro do calendário deles, por isso os índios estranham quando suspendemos as atividades por causa dos nossos feriados", conta a vice-diretora Ivete Barbosa. A adaptação também passa pelos métodos adotados.
Embora os referenciais do MEC não sejam recentes, eles só foram incorporados à dinâmica da escola em 2000. "Estamos tentando adaptar o conteúdo à vida deles; as crianças da aldeia têm melhor desempenho do que as da escola regular e tudo poderia ser melhor se tivéssemos mais orientação específica."
Um problema é o domínio do guarani, pois os alunos que chegam à 1.ª série mal falam português e as professoras, por sua vez, não dominam o guarani. A saída encontrada pela professora da 1.ª série, Adriana Melo, foi estruturar sua aula sobre projetos em que os próprios alunos desenvolvem o conteúdo, em vez de adotar as tradicionais cartilhas.
As lideranças, no entanto, defendem mais espaço para a cultura guarani. "Precisava ter mais tempo para as crianças conhecerem as nossas histórias", diz Elias Onório dos Santos, dirigente da aldeia responsável pela área da educação.

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