Dificuldade para rolar dívida faz dólar subir
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quarta-feira, 10 de março de 1999
Por Cleide Sánchez Rodríguez 
São Paulo, 11 (AE) - Depois de uma semana acumulando quedas sucessivas, o dólar voltou a subir hoje. No fechamento do mercado, a moeda norteamericana era negociada a R$ 1,91, em alta de 2,14% em relação aos últimos negócios realizados na véspera.
Segundo operadores, a alta foi atribuída a uma procura maior por dólar, mas não para especular ou para honrar compromissos externos. O objetivo da compra era atender a necessidade de hedge (proteção contra desvalorização cambial) de investidores que estavam aplicados nos títulos do governo indexados ao câmbio.
O volume de papéis cambiais com vencimento entre hoje e amanhã (12) é expressivo, perto de R$ 4 bilhões, mas o Banco Central não conseguiu vender volume equivalente no leilão de hoje para compensar o resgate de títulos. O total de NBC-E postas em leilão chegou a R$ 2,5 bilhões e a venda, no entanto, somou apenas R$ 523 milhões, aproximadamente.
Sem os papéis do governo, os bancos acabaram recorrendo ao mercado de dólar à vista, até porque o preço dos contratos futuros de câmbio negociados na Bolsa de Mercadoria e Futuros (BM&F) está mais salgado, comentou o executivo de um banco bastante ativo no segmento de câmbio.
Os contratos de abril indicam uma cotação de R$ 1,927 para o fim de março, e os de maio sinalizam um dólar de R$ 1,94 para o fim de abril.
Pressão - Analistas observaram que o dólar já iniciou o dia bastante pressionado, sendo cotado acima do fechamento da véspera, entre R$ 1,88 e R$ 1,89 - no dia anterior, o dólar fechou a R$ 1,87 - ficando nesses níveis durante toda a manhã.
Na parte da tarde, porém, o cenário mudou justamente depois de concluídos os leilões de títulos cambiais. A partir daí a cotação avançou até alcançar R$ 1,91, a máxima do dia.
Alguns operadores ressaltaram que a pressão somente não foi maior porque a necessidade por hedge atualmente não é tão intensa. Com o mercado internacional fechado para o Brasil, as operações externas caíram bastante e consequentemente a necessidade das empresas de se proteger contra as flutuações do dólar foi reduzida.


