É agora, no final do ano letivo, que os problemas na escola ficam mais evidentes, com o risco até de perda de parte das férias para recuperação de notas. Por isso é importante que pais e professores estejam atentos para um problema auditivo de fácil tratamento, que está entre as várias causas dos distúrbios de aprendizagem - a alteração no processamento auditivo central.
  Não se trata, segundo a fonoaudióloga Cláudia Sordi-Ichikawa, professora da Unopar, de uma perda de audição, mas de uma desabilidade no processamento de informações acústicas e lingüísticas. É como se a criança ouvisse, mas não entendesse.
  A principal característica do problema é aquela criança que está sempre perguntando ‘‘hã?’’, ‘‘o quê?’’, porque não entendeu o que foi dito. São crianças geralmente chamadas de distraídas, agitadas, hiperativas e às vezes é quieta e com tendência ao isolamento.
  Outra dificuldade comum é não compreender o que outra pessoa fala em ambientes ruidosos. ‘‘Nosso mundo é muito barulhento, e mesmo na sala de aula há uma série de ruídos que dificultam manter a atenção focada, uma habilidade auditiva importante para o aprendizado’’, avalia a fonoaudióloga.
  A conseqüência disso é a dificuldade de aprendizado, e cada vez menos interesse nas aulas. ‘‘A criança fica desmotivada porque acha que é ‘mau aluno’, fica desinteressada e não quer mais ir à escola’’, alerta. Para um bom processamento auditivo é necessário, segundo ela, não só uma boa detecção do som, mas também ‘‘capacidade de atenção seletiva, de discriminação, de localização, de reconhecimento, de compreensão e de memória auditiva’’.
  Nas crianças de 1ªà 4ªséries o diagnóstico de alteração no processamento auditivo central, segundo Cláudia, ainda não é muito concreto porque nessa idade, até por volta dos nove anos, ela ainda passa por um processo de amadurecimento dessas habilidades no sistema nervoso central. Mas é depois, na 5ªsérie, quando as próprias disciplinas de gramática e cálculo exigem maior concentração, principalmente na sala de aula, para reter as informações da professora, que começam as queixas e os problemas de aprendizado.
  Em crianças mais novas, salienta a especialista, a troca de alguns sons, como o ‘‘R’’ pelo ‘‘L’’, indica a possibilidade de alteração no processamento auditivo central mais tarde. ‘‘É um problema que pode até passar, ou voltar, por volta da 5ªsérie, com uma dificuldade mais específica, e outras queixas neurológicas, como dificuldade de se manter quieto e prestar atenção’’, avalia, lembrando que o problema pode ter associação com o déficit de atenção e hiperatividade.
  A causa da alteração pode ter origem em fatores hereditários, alterações no sistema nervoso central, e em infecções de ouvido de repetição nos primeiros anos de vida.

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