Com o repasse de verbas do Município, Estado e União insuficiente e na maioria das vezes atrasado, as instituição que trabalham com portadores de deficiência recorrem à doações da comunidade e promoções para manter o atendimento. Dependentes da verba pública e da solidariedade algumas instituições trabalham sob risco iminente de fechar as portas.
Esta era a situação do Instituto Geral de Assistência Social Evangélica (Ilece) no início deste ano. Com salários de dezembro, décimo terceiro, férias, encargos sociais atrasados, um déficit mensal de R$ 5 mil, a presidente do Ilece, Laurinda Saragossa Germano, chamou uma reunião com funcionários e pais e declarou que se não conseguissem reverter aquela situação a instituição iria fechar.
Hoje, porém, a crise está controlada. Recorrendo a promoções, bingos, bazar, e a entrada da verba em atraso, Laurinda Germano afirma que a situação está melhor. Mesmo assim os problemas ainda existem. Metade da folha de pagamento do mês de julho não foi paga, a União está há dois meses sem repassar verbas que correspondem a R$ 27 mil.
Dentro deste quadro, segundo Laurinda Germano, a verba que entra – entre verbas do Município, Estado e União, o Ilece recebe R$ 23 mil/mês – é toda utilizada para a parte operacional: água, luz, telefone, folha de pagamento. Qualquer gasto extra com manutenção, conpra de material, entre outros, o instituito recorre às promoções, doações, socorro da comunidade.
A instituição ainda vê nas promoções e doações da comunidade a única forma de complementar a verba pública e conseguir manter o atendimentos aos 260 portadores de deficiência, a partir de zero ano. Laurinda Germano afirma que o instituto não possui nenhum projeto de troca de serviços com a comunidade.
Os projetos existentes visam suprir algumas necessidades da escola. Dois deles foram encaminhados para o MEC. Um para conseguir verba para a aquisição de um microônibus e outro para a compra de maquinários para a marcenaria.
Segundo a diretora-técnica do Ilece, Leda Regina Camargo Melo Saconatto os projetos foram aprovados mas a verba não foi liberada.
O instituto está buscando agora patrocínio para a construção de um centro esportivo em sua subsede. O projeto foi doado pelo escritório de Arquitetura e Designer. Laurinda Germano afirma que falta consciência da comunidade para participar mais da vida do Ilece e conhecer o trabalho do instituto. Porém afirma que não há uma campanha permanente de divulgação da escola. ‘‘Nós fazemos a divulgação do Ilece em ocasiões específicas’’.
A Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae) vive uma situação semelhante. Recebendo cerca de R$ 20 mil mensais de verba do Estado, Município e União, e com despesas bem superiores, a escola recorre às promoções e ajuda da comunidade.
É esta fonte de renda suplementar que possibilita o cumprimento dos compromissos mensais da APAE: folha de pagamento de profissionais, telefone, água, luz, manutenção, despesas extras, etc – a escola recorre às promoções e à comunidade.
Segundo a diretora-técnica Ana Cássia Jorge Cestari, desta forma tem sido possível oferecer um atendimento de qualidade para os 234 alunos matriculados – de bebês a adultos. Mas a grande preocupação é com aqueles que a escola não tem condições de atender. A demanda é bem maior do que a oferta.
Só na lista de espera são 40 portadores de deficiência. ‘‘Está sempre nascendo crianças que precisam de atendimento e não temos condições de atender’’, afirma. ‘‘Constantemente chegam bebês de 19 dias, um mês mas não podemos aceitar. E são pessoas que precisam de atendimento urgente’’, complementa.

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