Bogotá, 03 (AE-ANSA) - O governo do presidente Andrés Pastrana e os guerrilheiros das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) começarão a negociar quinta-feira (06) a paz com uma pauta que propõe a mais profunda e complexa reforma constitucional da história do país.
Pastrana proporcionou nos últimos dias uma surpreendente reviravolta no processo de paz com as duas maiores organizações rebeldes ao criar novos meios para estabelecer os mecanismos que levem o Exército de Libertação Nacional (ELN) a entregar os 32 passageiros e tripulantes sequestrados em um avião da companhia aérea Avianca há três semanas.
O presidente colombiano afirmou que após a libertação dos reféns será possível retomar o diálogo de paz com o ELN.
Ontem, Andrés Pastrana manteve, nas selvas do interior do país
uma inesperada reunião com o líder das Farc, Manuel Marulanda, conhecido como Tirofijo (tiro certo). Com o encontro, foi dado um impulso decisivo para as primeiras negociações de paz realizadas em sete anos com a organização, a maior e mais antiga da Colômbia.
As duas partes chegarão quinta-feira à mesa de negociações com uma pauta plenamente acordada após a superação de numerosos e difíceis obstáculos, que no entanto são considerados menores frente aos que se esperam ao longo da negociação, segundo as primeiras análises políticas.
Prevendo problemas que possam aparecer, Pastrana e Marulanda concordaram em formar, conjuntamente, uma "comissão internacional de verificação" - que se encarregará de "observar a negociação e ajudar a superar inconvenientes que venham a surgir".
Esta foi a segunda vez nos últimos meses que Pastrana se dispôs a encontrar-se com o líder guerrilheiro em seu esconderijo.
Na primeira, no ano passado, os dois concordaram em iniciar o diálogo de paz numa área controlada pelas Farc, da qual o governo retiraria suas tropas, no sul do país.
A mesa de negociações foi formalmente instalada em San Vicente del Caguán em janeiro, mas o diálogo foi interrompido semanas depois, ante a exigência dos guerrilheiros de que as milícias paramilitares direitistas depusessem suas armas.
Os rebeldes acusam o Exército governamental de armar e treinar esses esquadrões da morte, que combatem as guerrilhas esquerdistas no interior do país. A exigência causou um impasse que paralisou as negociações.
Nesta segunda-feira, o Departamento de Estado norte-americano pronunciou-se a favor do prosseguimento das negociações de paz entre o governo da Colômbia e as Farc. "Estamos convencidos de que o governo colombiano e as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia mantiveram sérias reuniões nos últimos dias", declarou James Rubin, porta-voz da chancelaria.

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