Diferenças distanciam seres humanos Do correspondente Gilles Lapouge
Paris, 11 (AE) - A imprensa comemora a chegada do 6.000.000.000º habitante da Terra. Mas será possível falar de "humanos" em geral? As diferenças de fortuna, de herança cultural, de expectativa de vida são tão grandes há um século e sobretudo desde a "mundialização", que nos cabe o direito de perguntar se é legítimo contabilizar sob o mesmo "rótulo" de "humanos" um camponês de Alto Volta e um milionário de Beverly Hills, que perambula ociosamente na esquina de Rodeo Drive ou pela Wilshire Avenue: estes dois "viventes" são na realidade tão diferentes entre si quanto um tigre é diferente de uma lebre ou de uma libélula.
Posso estar sendo até meio demagógico, mas é preciso citar alguns horrores: as três pessoas mais ricas do mundo possuem uma fortuna superior ao PIB somado de 48 países menos desenvolvidos. A fortuna concentrada em mãos das mil pessoas mais ricas do mundo se eleva a um trilhão de dólares, ou seja, a renda total anual dos 2,5 bilhões de pobres.
A família Bill Gates possui uma mansão de 4.200 metros quadrados, que custou 100 milhões de dólares. O preço do terreno
à margem do lago Washington, se eleva a 24 mil dólares por metro quadrado. Em 1973, o presidente de uma empresa americana podia ganhar até 35 vezes mais do que ganhava um assalariado comum.. Neste ano, o mesmo presidente ganha 200 vezes mais do que recebe o seu assalariado.
Mesmo num país modesto, como a França, não muito famosa por suas grandes fortunas, as desigualdades atingiram um grau intolerável. O ex-presidente geral da Elf, Jérôme Jaffré, que recebeu 200 milhões de opções de compra de ações depois de ter dirigido a empresa de petróleo durante quatro anos, é uma figura pálida, se comparada ao dono da Disney, Michael Eisner, que embolsou 565 milhões de dólares em 1998 (e Eisner ainda está longe de figurar entre os norte-americanos mais ricos). Seja como for, Jaffré, o ex-presidente da Elf, poderia sustentar durante dez anos um povoado de 5.000 habitantes num país muito pobre.
Mesmo no seio da categoria dos presidentes de diretoria de empresas, as disparidades são gritantes. Existem diretores de empresas "pobres" e diretores "riquíssimos". Isso depende em grande parte do produto que se apresenta. As grandes fortunas são fabricadas com "a nova economia" (quer seja a Bolsa, a Internet, a informática, a mídia, as diretorias de empresas, alguns futebolistas, alguns cantores ou atores, alguns autores de scripts e roteiros). Ao contrário, a "antiga economia" (que vai do aço à indústria da carne) está ficando estagnada.
Desde 1994, segundo a Business Week, os salários na "nova economia" tiveram um avanço de 11%, enquanto na "antiga economia" os ganhos foram de apenas 3%.
É inútil esclarecer que as disparidades não cessaram de aumentar. Em 1820, a proporção entre o país mais rico e o mais pobre do Planeta era de 3 (pobres) para 1 (rico), segundo o jornal Financial Times. Hoje, esta proporção é de 72 para 1 (Os 5 países ricos escolhidos são a Suíça, os Estados Unidos, o Japão, a Alemanha e a Dinamarca) Nos países do hemisfério Sul, 1.3 bilhão de seres humanos vivem com menos de 1 dólar por dia, 4.5 bilhões de habitantes do Sul não têm água potável.
A China comunista continua sendo, em âmbito global, um país muito pobre, mas as desigualdades estão se aprofundando. O fundador do "site Sohu" na Internet, ou o dono da empresa eletrônica Haier acabam de entrar no grupo, cada vez maior , dos novos milionários chineses.
Milionários em "yuans (a unidade monetária chinesa) - o que não significa nada em comparação com um milionário ocidental. É verdade, mas tudo isso tem sentido, se nos lembrarmos que, segundo o jornal do governo chinês "China Daily", 50 milhões de chineses vivem abaixo da "linha da pobreza" (639 yuans por ano).





