Porto Alegre, 28 (AE) - A ruptura das negociações entre o Rio Grande do Sul e a Ford para a instalação de uma fábrica da empresa no município de Guaíba foi causada por uma diferença de R$ 265 milhões entre o contrato original de incentivos e o que o novo governo está disposto a pagar. Mesmo assim, o secretário estadual de Desenvolvimento, José Luiz Vianna Moraes, disse no início da noite, depois do sexto encontro com representantes da companhia, que mantém uma "expectativa positiva" de que as tratativas sejam retomadas.
Logo após uma reunião de emergência do conselho político do governo gaúcho no início da noite, no Palácio Piratini, Moares explicou que o estado propôs oficialmente à Ford a manutenção dos incentivos fiscais originais e o repasse de R$ 154 milhões entre obras de infraestrutura e capital de giro, além dos R$ 42 milhões já liberados em 1998.
Pelo contrato original, firmado no governo de Antônio Britto (PMDB), o Rio Grande do Sul deveria emprestar mais R$ 418 milhões à empresa, com 15 anos para pagamento, cinco de carência e juros de 6% ao ano, sem correção monetária.
"O estado deu tudo e talvez até mais do que poderia dar", explicou o secretário, ressaltando que a atual administração herdou um déficit operacional mensal de R$ 100 milhões. Por enquanto ele não cogita que a Ford vá recorrer à Justiça em função do rompimento do contrato. "O governo fez um esforço gigantesco, muito além da realidade financeira em que encontramos o Estado", comentou.
Dos R$ 154 milhões oferecidos pelo Rio Grande do Sul, R$ 84 milhões seriam para obras viárias e de saneamento. Outros R$ 70 milhões seriam liberados logo após o fechamento do acordo, por conta de 50% dos recursos que serão repassados pelo governo federal à Agência de Desenvolvimento que substituiu a Caixa Econômica Estadual no processo de reestruturação do sistema financeiro gaúcho.
O estado propôs ainda buscar apoio da União para garantir a realização de obras federais em torno da montadora, como a construção de uma hidrovia e a ampliação da BR-116. Também dispôs-se a ajudar o município de Guaíba a tomar financiamento para custear as obras de caráter municipal, garantido pelo aumento de arrecadação local com a instalação da fábrica.
Além dos recursos financeiros, os incentivos tributários originais seriam mantidos pelo governo gaúcho em que pese sua "posição contrária à guerra fiscal", explicou Moraes. O contrato, neste caso, prevê a isenção de ICMS sobre a produção da fábrica de Guaíba e a importação de automóveis pelo porto de Rio Grande até o limite de 9% do faturamento mensal da companhia. O dinheiro seria devolvido em 12 anos, após dez de carência, sem juros nem correção monetária.

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