Uma dieta rica em verduras, legumes e frutas e com baixa participação de calorias e gorduras animais reduz à metade o risco de a pessoa desenvolver câncer, especialmente do sistema digestivo, boca, faringe, pulmão, mama, útero e ovário. A boa notícia, um dos poucos consensos em todos os estudos já feitos até hoje sobre a doença, foi dada ontem, no 17º Congresso Mundial de Câncer, no Rio, pelo pesquisador Anthony Miller, da Agência Internacional para Pesquisa Sobre Câncer, da Organização Mundial de Saúde (OMS). Segundo ele, ficou demonstrado que 50% de todos os tipos de câncer têm na má alimentação um importante fator de influência.
‘‘Não sabemos exatamente que substâncias nas frutas e vegetais exercem proteção contra o câncer mas, nos EUA e Europa, a recomendação é a de que cada pessoa coma de cinco a seis porções desses alimentos por dia’’, apontou Miller.
No Brasil, o maior risco está na mudança de padrão alimentar adquirida com a melhoria geral de renda da população a partir da estabilização da moeda. O epidemiologista Sergio Koifman, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), apontou que a dieta básica tradicional do brasileiro - arroz, feijão, salada e carne - é muito boa dentro dos padrões internacionais. ‘‘O operário sueco almoça um tablete de manteiga com pão; o inglês, peixe frito com batata frita e o americano, só alimentos industrializados’’, descreveu.
Por isso, apesar da comprovada eficácia de frutas e vegetais contra o câncer, ele não acha necessário que, no País, se faça campanhas em prol dos alimentos com tanta ênfase como as contra o fumo. ‘‘Se apenas se fizer um reforço no padrão básico de alimentação, com feijão e arroz todos os dias, um refogado de vagem ou cenoura, o sopão que se faz na xepa da feira, já estará ótimo’’, garantiu. Mas foi apenas este ano que o Instituto Nacional do Câncer (Inca) distribuiu nas escolas públicas e particulares uma cartilha que, entre outras recomendações, explica a importância das frutas, legumes e verduras na prevenção do câncer.
Koifman admitiu, porém, que o crescimento do câncer de intestino grosso no Brasil - é um dos três tipos que mais vêm subindo nas estatísticas, ao lado do de mama e de próstata - está ligado ao maior consumo de gordura animal propiciado pelas mudanças nos hábitos alimentares do brasileiro.
Os atuais conservantes, presentes na maioria dos alimentos industrializados, não seriam vilões, para Miller. ‘‘Nos índices que vigoram nos alimentos na América do Norte, não são preocupantes’’, afirmou ele, que também não vê grande perigo na contaminação por agrotóxicos, considerada em níveis apenas residuais. Perigosos mesmo continuam sendo o fumo e o álcool - ainda mais se associados. ‘‘A associação dos dois é um dos fatores que causam câncer de boca, faringe, laringe e esôfago’’, apontou. ‘‘Já a prática de atividade física diminui o risco do câncer de mama e estômago’’.Arquivo FolhaBoa notíciaOs legumes, junto com as frutas e verduras, são fundamentais na prevenção ao câncer, especialmente do sistema digestivo, boca, faringe, pulmão, mama, útero e ovário. Dieta reduz à metade o risco da doença segundo a Agência Internacional para Pesquisa Sobre Câncer, da Organização Mundial de Saúde
Eliane Azevedo
Agência Estado

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