Dieta inadequada,
uma das causas principais

Obstipação intestinal Evite este mal, comendo fibras

Josué de CarvalhoHortaliças ricas em fibras são indicadas contra prisão-de-ventreApesar do nome complicado, trata-se da comum e incômoda prisão-de-ventre, que prejudica milhões de pessoas
Segundo as nutricionistas Eloísa H. Aibara e Lara Scupino, do Hospital do Câncer de São Paulo (Hospital A.C. Camargo), em artigo publicado na Folha do Servidor Público de São Paulo, em dezembro do ano passado, obstipação intestinal ‘‘pode ser definida como uma condição na qual a frequência ou quantidade de evacuações é reduzida, ou quando há sensação de esvaziamento incompleto do reto após a evacuação, ou, ainda, quando há eliminação de fezes duras e de pequeno volume’’.
As causas mais comuns da obstipação, dizem as nutricionistas, são dieta inadequada, pobre em resíduos e baixa ingestão de líquidos; inibição de refluxo da defecação (falta de tempo, viagens); falta de exercício físico; distúrbios psicológicos (depressão); uso abusivo de laxantes, entre outras.
FibrasA obstipação intestinal crônica ‘‘está frequentemente associada a uma alimentação pobre em fibras’’. São fibras dietéticas todos os polissacarídeos vegetais da dieta (celulose, hemicelulose, pectina, goma, mucilagem e lignina). Aibara e Scupino ressaltam que ‘‘qualquer aumento na ingestão de fibras deve ser acompanhado por aumento da ingestão de líquidos’’.
Elas esclarecem que as fibras são classificadas em insolúveis ou solúveis, de acordo com a solubilidade em água. A função da fibra insolúvel é provocar um aumento do bolo fecal e reduzir o tempo de passagem pelo intestino.
As fontes de fibras insolúveis são: celulose - farelo de trigo, farinha de trigo integral, couve, leguminosas, fava, brócoli, couve-de-bruxelas, pepino, pimentão, maçã. Hemicelulose - farelo, cereais, grãos integrais, couve-de-bruxelas, mostarda, beterrraba. Lignina - cereais matinais, farelo, verduras, morango, beringela, pêra, rabanete.
SolúveisAs fibras solúveis têm importante função no metabolismo de gorduras e da glicose. Elas podem ajudar na redução dos níveis sanguíneos de colesterol, e na absorção intestinal da glicose proveniente dos alimentos.
São fontes de fibras solúveis: Amidos - aveia, feijões; Pectinas - abóbora, maçã, frutas cítricas, couve-flor, feijão verde, couve, leguminosas secas, cenoura, morango, batata.
As nutricionistas do Hospital do Câncer de São Paulo comentam que a ingestão aumentada de fibras tipo solúvel ‘‘parece beneficiar pacientes com diabetes e hiperlipidemia, sendo recomendada dieta rica em fibra e pobre em gordura para diminuir a incidência de doenças cardíacas e certos tipos de câncer.
Elas chamam a atenção, ainda, para o fato de as fibras dietéticas serem encontradas apenas em alimentos vegetais. Os componentes das fibras encontram-se em diversas quantidades e combinações em folhas, talos, flores, tubérculos, raízes e sementes das plantas. As fibras, geralmente concentradas nas cascas e camadas externas dos legumes, podem ser perdidas ao serem descascadas ou refinadas.
Ao chegar ao cólon, alguns tipos de fibra são excretados nas fezes, principalmente em forma inalterada, enquanto outras são parcialmente ingeridas, fermentadas em graus variáveis, por bactérias normalmente presentes no cólon, produzindo hidrogênio, dióxido de carbono, metano, água e ácidos graxos de cadeia curta. Este tipo de fermentação favorece a população bacteriana do cólon que, por sua vez, traduz-se em aumento do peso das fezes e, dessa maneira, provoca um trajeto mais rápido destas pelo cólon.
Quanto à quantidade de fibra a ser consumida, o Instituto Nacional de Câncer dos Estados Unidos estima que os americanos consomem diariamente de 10 a 20 g de fibra, apesar de haver grandes variações de indivíduo para indivíduo.
Na América Latina um grupo de especialistas em nutrição reunidos na Venezuela, com o propósito de estabelecer um ‘‘Guia de Alimentação’’, recomendou para o adulto um consumo mínimo de 20g/dia ou o equivalente a 8-10 g de fibra para cada 1000 Kcal consumidas.
Grande parte das recomendações atuais para aumentar o consumo de frutas, legumes e grãos integrais traduz-se em um consumo de fibra que vai de 20 a 30 g/dia.
O consumo excessivo de fibras pode ser indesejável. Alguns estudos indicam que certos tipos de fibras podem fixar alguns minerais, tais como: cálcio, cobre, zinco, magnésio, ferro e selênio, impedindo sua absorção e utilização pelo organismo, além de causar distúrbios abdominais, gases e diarréia.
Recomenda-se a ingestão de fibra dietética através de uma dieta completa e variada, que inclua cereais, leguminosas, frutas e verduras.

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