São Paulo, 22 (AE) - O Departamento Intersindical de Estudos e Estatísticas Sócio-Econômicas (Dieese) não aprova a adoção do gatilho salarial agora. Segundo o coordenador de Produção Técnica do órgão, Antônio Prado, o Dieese entende que é necessário primeiramente observar o comportamento da inflação nos próximos meses.
Caso não haja um recuo das taxas e se constate a contaminação dos aumentos em outros setores, como o de serviços, a indexação deve ser adotada. O tempo a esperar, segundo ele, é de aproximadamente seis meses. "Se a inflação não cair após atingir um pico de 12% a 15% ao ano em junho, deveríamos pensar na indexação dos salários", afirmou.
Prado alertou que, se o gatilho salarial, por um lado, constitui um mecanismo de defesa contra a inflação permanente, por outro, gera perda salarial, concentração de renda e aumento do desemprego, acentuando a recessão no País. Por isso, na sua opinião, é importante aguardar a evolução dos índices.
De acordo com seus cálculos, uma média mensal anualizada de 1,3% em julho é sinalização de recuo da inflação. Este percentual está inclusive abaixo da média de 16,8% fixada no acordo do Brasil com o Fundo Monetário Internacional (FMI). O coordenador do Dieese considera ainda que o reajuste do salário mínimo, mesmo que chegue a 8%, não gerará impacto relevante na inflação porque afeta pouco o sistema de preços. "Um aumento por exemplo de 6% sequer recompõe o poder aquisitivo médio, corroído por uma inflação de aproximadamente 15%", avaliou.

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