Dieese divulga na sexta-feira ICV de mais de 1% para novembro
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 30 de novembro de 1999
Por Rita Tavares 
São Paulo, 30 (AE) - Nesta sexta-feira o Dieese divulga o Índice de Custo de Vida (ICV) de novembro, que ultrapassará 1%. No mês de outubro, o índice foi de 0,93%. "Sobe bem", disse a supervisora de pesquisa do ICV-Dieese, Cornélia Nogueira Porto. A alta do índice vem, basicamente, da elevação do preço dos combustíveis, sobretudo do álcool, e da carne bovina. No mês que vem, Cornélia acredita que o ICV "não deve vir tão alto" como nos dois últimos meses.
Segundo ela, os índices de varejo de dezembro serão menos pressionados à medida que a entrada da safra reduzirá o preço da carne, o que já está acontecendo segundo o sindicato do setor. Ao disponibilizar seu estoque de álcool, o governo pode não reduzir o preço do combustível, mas vai estabilizar o preço. "Vai por o pé no breque", afirmou.
"Houve um problema sazonal de alta de preços, mas não é só isso", afirmou Cornélia. De acordo com ela, há uma enorme pressão para repassar aumento de custos que vieram com a desvalorização do real e com os reajustes das tarifas públicas. "Se a demanda melhorar em dezembro, o comércio vai tentar repassar esses custos", explicou a economista.
Cornélia constatou a existência de um "clima de inflação no ar" à medida que os meios de comunicação falam insistentemente do assunto. "Depois do tarifaço, sobrou menos dinheiro no bolso das pessoas para o consumo diário", disse. Assim, ao ver preços em alta e índices em alta, pequenos comerciantes, profissionais liberais e mesmo ambulantes tenderiam a aumentar seus preços.
Em dezembro, Cornélia lembra que os índices de custo de vida não são pressionados por nenhum fator sazonal, o que contribui para uma desaceleração. Em janeiro, tradicionalmente, há uma tendência de alta já que as mensalidades escolares são reajustadas. Outro fator de pressão tradicional é, segundo Cornélia, a alimentação fora de casa. Neste ano, esse item não pesou na composição do ICV, porque a recessão limitou repasses.


