Dieese apura maior índice de inflação em dois anos
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 05 de fevereiro de 1999
Por Cristina Falasco 
São Paulo, 05 (AE) - A inflação de janeiro, apurada pelo Índice do Custo de Vida (ICV) calculado pelo Dieese para o município de São Paulo, foi de 1,38%. De acordo com a pesquisa, o índice é o maior registrado pela instituição desde janeiro de 1997, quando atingiu 2,12%. Em comparação com janeiro do ano passado - quando a inflação ficou em 0,70% - a taxa praticamente dobrou, registrando uma diferença de 0,68 ponto percentual em relação à verificada naquele mês. A diferença é ainda mais expressiva ante dezembro, quando o ICV ficou em 0,15%.
Segundo informa o Dieese, os itens que mais contribuiram para a elevação do ICV foram Transportes (3,12%), Educação e Leitura (3,00%) e Saúde (2,03%) As despesas com transporte individual subiram 1,43%, devido ao reajuste dos combustíveis (2 61%) ocorrido em dezembro. Os gastos com transporte coletivo cresceram 6,99%, em consequência do aumento da tarifa de ônibus que ainda deverá causar impacto inflacionário em fevereiro.
A alta de 3,00% nos gastos com Educação e Leitura teve como causa principal o reajuste das mensalidades escolares (3 99%), em especial das universidades que apresentaram aumento médio de 6,18%. Já as despesas com Saúde (2,03%) também pressionaram o índice de janeiro, devido aos aumentos dos seguros e convênios médicos (4,10%), item que, sozinho, contribuiu com 0,20 ponto percentual no cálculo do ICV.
O único grupo que registrou queda em janeiro foi o Vestuário (-1,10%) cujas taxas negativas, apuradas em todos os subgrupos foram consequência das liquidações de verão. Os gastos com Habitação (0,34%) e Equipamentos Domésticos (0,38%) cresceram, mas de acordo com o estudo, contribuíram para que a inflação não fosse ainda maior ficando bem abaixo da taxa média apurada.
Em sua análise o Dieese destaca que apesar da crise financeira acentuada a partir da segunda quinzena de janeiro, a taxa de 1,38% tem pouca relação com o aumento do dólar. Apenas no grupo Alimentação já se percebe alguma influência do câmbio em alguns produtos, como carne bovina (3,18%), farinha de trigo (3,59%), café em pó (4,18%), margarina (3,62%) e azeite estrangeiro (3,74%). Para os técnicos da instituição os possíveis impactos cambiais só vão ser detectados pelos índices de preço a partir de fevereiro.


