Dieese apura inflação acumulada de 77,3% nos cinco anos do Real
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quinta-feira, 01 de julho de 1999
Por Renata Rondino 
São Paulo, 2 (AE) - O Índice do Custo de Vida (ICV), calculado pelo Dieese, acumula uma alta de 77,3% nos cinco anos do Plano Real. As maiores taxas acumuladas durante o período ficaram por conta dos setores de habitação, educação e saúde, e as menores ficaram com os setores de recreação e vestuário.
O grupo de habitação registrou uma alta de 181,8%, puxado pelo sub-grupo de locação, impostos e condomínios, cuja alta foi de 402,7%.
O segmento de educação, por sua vez, valorizou 179,6%, em função dos aumentos das escolas e universidades particulares. Na área de saúde, cuja alta foi de 137,6%, os medicamentos, produtos farmacêuticos e os convênios médicos foram os principais responsáveis por esse desempenho, com valorizações de 104,9% e 161,6%, respectivamente. O grupo de alimentos apresentou alta de 46,1%, e foi o grande responsável por índices menores nesses cinco anos do Plano Real.
Os setores de habitação, saúde e vestuário foram os que apresentaram os maiores aumentos no mês de junho, segundo pesquisa do Dieese. O grupo de alimentação teve variação negativa e o setor de educação teve aumento inferior a taxa média do mês, que foi de 0,34%. De acordo com o Dieese, o setor de habitação teve alta de 1,67%, em função do sub-grupo "operação do domicílio", que teve alta de 3,13%. É neste sub-grupo que estão incluídos os serviços públicos, que tiveram suas tarifas reajustadas este mês. A área de saúde, por sua vez, teve reajuste de 1,53%, puxada principalmente pela valorização de 3,01% nos medicamentos e produtos farmacêuticos e pela alta de 1,27% nos seguros e convênios médicos. O grupo de alimentação fechou o mês de junho com queda de 1,08%, por causa da queda nos preços dos produtos in natura e semi-elaborados, que recuaram 1 97%.
No mês de junho, informa o Dieese, o aumento do custo de vida foi mais elevado para as famílias de maior poder aquisitivo
com rendimento médio de R$ 2,7 mil. Para este segmento, o aumento do custo de vida foi de 0,27% em maio e de 0,39% em junho. As famílias com menor renda média (R$ 377,49) tiveram impacto menor, de 0,10% e 0,25% respectivamente. Em 99, o índice de custo de vida do Dieese acumula uma inflação de 4,25%, e de 2 86% nos últimos 12 meses.
Junho - O ICV do município de São Paulo fechou o mês de junho com uma alta de 0,34%. O aumento das tarifas públicas foi o principal responsável por esse desempenho. Em junho, os serviços púublicos subiram 4,7% e contribuíram com 0,38 ponto porcentual no cálculo do indicador.
Segundo a coordenadora da pesquisa do Dieese, Cornélia Nogueira Porto, se não fosse esse aumento de tarifas, haveria uma pequena deflação. Para o mês de junho, ela prevê uma inflação de 1% porque haverá ainda impacto do aumento que ela estima em 1,27 ponto porcentual. Para este ano, Cornélia prevê inflação entre 5% e 6%, se não houver novos reajustes de tarifas públicas.


