Dieese aponta inflação de 0,22% em maio
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domingo, 06 de junho de 1999
Por Liliana Pinheiro 
São Paulo, 07 (AE) - O custo de vida do paulistano subiu menos em maio do que no mês anterior, mas voltou a mostrar componentes preocupantes para o desempenho dos setores econômicos mais concorrenciais e, consequentemente, para a reversão da recessão e do desemprego. A inflação medida pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos (Dieese) foi de 0,22%, 0,19 ponto percentual a menos do que o índice de 0,41% registrado em abril.
Contudo, de novo, o paulistano teve de remanejar seu orçamento, cortando verbas que deveriam seguir para a alimentação, compras, recreação e despesas pessoais, por exemplo
para usá-las em saúde, transportes e habitação, três grupos de produtos e serviços essenciais, dos quatro que apresentaram as maiores elevações de preços. O grupo de vestuário foi o que apresentou maior alta, mas este é um fenômeno sazonal, explicado pela chegada de coleções de inverno nas lojas.
O deslocamento do orçamento doméstico para despesas essenciais, que estão crescendo muito além da inflação, é um fenômeno que, pela repetição, já está alcançando proporções que desequilibram a atividade econômica, segundo a supervisora da pesquisa de preços, Cornélia Nogueira Porto. "Uma das possíveis consequências é o agravamento do quadro recessivo e uma queda de preços e de vendas nos setores concorrenciais, que são os que mais empregam gente", explicou.
O Plano Real está prestes a fazer novo aniversário e o balanço da inflação desses cinco anos apresenta mais claramente as distorções que passaram a fazer parte do orçamento do paulistano. No período, a inflação medida pelo Dieese foi de 76 71%. Já o setor de saúde (especialmente medicamentos) promoveu aumentos de preços de 134,03%. A habitação subiu 177,13%. E a educação, 179,55. O desequilíbrio passa a ser muito prejudicial num momento de baixa atividade econômica.
Novos aumentos dos preços de medicamentos e de tarifas públicas (energia elétrica, por exemplo), já anunciados para este mês, vão agravar ainda mais a situação. Isso em detrimento dos setores competitivos, como o de produção de alimentos , equipamentos domésticos e serviços. Em maio, o grupo que mais contribuiu para a queda da inflação foi o de alimentação (-1 05%).


