Dias vai liderar comitiva do governo federal no ES
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terça-feira, 01 de fevereiro de 2000
Por Hugo Marques 
Brasília, 01 (AE) - O ministro da Justiça, José Carlos Dias, vai liderar uma comitiva do governo federal no Espírito Santo este mês para acompanhar as investigações sobre o crime organizado.
Dias fez o anúncio após reunião do Conselho Nacional dos Direitos da Pessoa Humana (CDDPH). O ministro da Justiça afirmou que o crime organizado está infiltrado nos poderes constituídos do Estado, de forma mais aguda no Legislativo.
A partir da decisão do CDDPH, o ministro enviará nos próximos dias uma representação à Corregedoria do Tribunal Federal de Recursos da região, contra o juiz federal Antônio Ivan Athiê, da 4.ª Vara Federal. Segundo o conselho, há quatro anos, o juiz guarda um processo que trata da dissolução da Scuderie Le Cocq, apontada como a organização que representaria quase todo o crime organizado do Espírito Santo.
Uma das principais investidas do conselho, no entanto, é contra o presidente da Assembléia Legislativa, José Carlos Gratz (PFL), acusado de envolvimento com o crime organizado.
O CCDPH outorgou poder ao presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Reginaldo de Castro, para acompanhar o processo que corre no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sobre eleições no Espírito Santo, que, segundo o ministro, poderia levar à cassação dos direitos políticos de Gratz. Uma autoridade que participou da reunião de hoje admitiu que esta é uma forma de pressão junto ao TSE.
Outra ofensiva do Ministério da Justiça está sendo feita pelo Núcleo Especial de Combate à Criminalidade, que vem levantando as conexões do crime organizado capixaba com outros Estados. Segundo Dias, foram identificadas algumas destas conexões. O ministro, no entanto, prefere manter tudo em sigilo.
Dias pretende ir ao Espírito Santo no dia 16. O ministro quer fazer o mesmo tipo de visita que fez ao Acre, em 1999, para acompanhar as investigações sobre o envolvimento do ex-deputado Hildebrando Pascoal (sem partido) com o narcotráfico. A comitiva deverá incluir o procurador-geral da República, Geraldo Brindeiro, o secretário nacional dos Direitos Humanos, José Gregori, e o diretor-geral da Polícia Federal (PF), Agílio Monteiro Filho. "Queremos tornar pública a posição do governo federal para cessar a impunidade", disse o ministro. Durante a visita ao Espírito Santo, a comitiva pretende ter um encontro com o governador, José Ignácio Ferreira (PSDB), e com o presidente da seccional da OAB no Estado, o advogado Agesandro Ferreira, que vem sofrendo ameaças de morte por denunciar o crime organizado. "Ameçaram explodir a sede da Ordem no Estado", disse Ferreira. Segundo o advogado, no Espírito Santo, há "omissão" das autoridades policiais em relação ao crime organizado.
Durante a reunião do CDDPH, o vice-presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados, Nelson Pellegrino (PT-BA), denunciou a ação de grupos de extermínio na Bahia, que, segundo ele, executaram 160 pessoas somente no ano passado. Pellegrino afirmou que há "grande resistência" de alguns políticos baianos em investigar os crimes.


