Brasília, 14 - O ex-ministro da Justiça, José Carlos Dias, transmitiu há pouco o cargo ao seu substituto, José Gregori, entregando-lhe os diversos projetos que estão em andamento na pasta. Entre eles, o anteprojeto do novo código penal e o Plano Nacional de Segurança Pública. Este último, segundo Dias, traz instrumentos "novos e poderosos" de combate a criminalidade.
Dias disse que tem absoluta convicção de que está deixando o Ministério da Justiça em boas mãos. "Tenho certeza que ele (Gregori) irá, com seu temperamento, com suas virtudes, com seu brilho e com seu caráter dar a grandeza que não pude dar a este Ministério", afirmou.
Ele também afirmou no seu discurso de transmissão de cargo que jamais traiu a confiança do presidente da República e que nunca deixou de ser leal. "Sei sim trabalhar em equipe; e o maior exemplo é a equipe que constituí neste ministério", disse Dias, numa referência à crítica que teria sido feita pelo ministro-chefa da Casa Civil, Pedro Parente, quando Dias não quis se retratar da nota que divulgou, contendo críticas contra o então secretário nacional Antidrogas, Walter Maierovich, por ter antecipado uma operação da Polícia Federal, de combate ao crime organizado.
Em seu discurso, Dias disse que no momento em que manifestou sua divergência e inconformidade, divulgando a nota, não foi quebra de hierarquia, mas sim respeito aos compromissos democráticos do presidente da República. O ex-ministro elogiou o trabalho do diretor-geral da Polícia Federal, Agílio Monteiro, mas reafirmou que a instituição "tem que ter um comando único, tal como ocorre nas Forças Armadas". Dias disse que está voltando à advocacia, onde demonstrou ser um "galo de briga", para aumentar o seu arquivo com mais de 600 perseguidos políticos. "Não podemos permitir ranços autoritários", afirmou o ex-ministro, ressaltando que na vida é preciso ter a coragem de ousar. "Tenho a ousadia de dizer que tive a coragem de ousar e tenho a felicidade de dizer que volto com a consciência em paz", afirmou Dias.

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