São Paulo, 03 (AE) - O ministro de Justiça, José Carlos Dias, pretende apresentar até o fim de setembro um plano de trabalho com propostas concretas sobre a reforma do sistema Judiciário. "Estamos com um grupo, coordenado pelo professor Oscar Vieira, recolhendo e estudando propostas da comunidade jurídica e da sociedade nessa direção: a Justiça tem de ser mais transparente e estar ao alcance de todas", disse Dias.
Ele disse também que há perspectivas de obter financiamento externo para alguns dos projetos que estão sendo estudados. O ministro concordou com as críticas feitas pela Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), na "Carta do Rio de Janeiro", de que o Judiciário é lento e distante da população e que precisa passar por reformas mais amplas do que as que estão em debate. Dias avalia, no entanto, que a cobrança da OAB não é só em relação ao Judiciário. "O sentido de justiça que queremos propor ao País é o de uma Justiça mais rápida mais barata e mais acessível; a cobrança feita pela OAB é em relação a todas as instituições para que se faça a modernização da Justiça", disse Dias. Ele também incluiu na reforma do sistema Judiciário, além da Justiça Criminal, a Cível. "A Justiça deve ser rápida porque, se for lenta, é a negação da Justiça." O ministro da Justiça está participando da abertura da 1ª Semana de Direito Penal, processual penal e criminologia, organizada pelo Centro Acadêmico XI de Agosto, da Faculdade de Direito do Largo São Francisco (USP).
Dias discorda que esteja ocorrendo uma divergência entre ministros da área econômica em torno da questão do desenvolvimento x estabilidade. O lance mais recente da polêmica ocorreu ontem (02), em seminário organizado pelo PSDB, no qual se confrontaram as idéias dos ministros Pedro Malan (Fazenda) e Clóvis Carvalho (Desenvolvimento). "Não vejo esta polêmica acontecendo; acho é que existem várias formas de ver o problema" disse Dias.
Na avaliação de Dias, a queda de popularidade do presidente Fernando Henrique Cardoso e a influência dele nas próximas eleições municipais não estão motivando a polêmica na área econômica. "Não sei, não acredito; mas, sinceramente, essa é uma questão na qual eu pretendo não dar palpite; já tenho muito com o que me ocupar e não quero me perder em divagações numa área que eu não domino, não sou muito bom em economia", disse Dias.

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