Dias propõe pacto dso Três Poderes contra crime organizado
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terça-feira, 02 de novembro de 1999
Por Hugo Marques 
Brasília, 03 (AE) - O ministro da Justiça, José Carlos Dias, comparou o problema da violência no País à administração de uma "UTI" - unidade de terapia intensiva, para onde são levados os doentes em estado grave, e propôs a criação de um "pacto" entre os Três Poderes para combater o crime organizado. O ministro pediu hoje mais dinheiro ao presidente Fernando Henrique Cardoso para a área de segurança pública. Dias prometeu aumentar o número de policiais federais que investigam o assassinato da prefeita de Novo Mundo (MS), Dorcelina Folador.
O ministro antecipou algumas medidas que pretende tomar para coibir a violência no País. Além de pedir mais dinheiro ao presidente Fernando Henrique Cardoso, que ontem (02) propôs união contra o crime organizado, José Carlos Dias pretende transformar a Academia Nacional de Polícia, da Polícia Federal, em um centro de treinamento para todos os policiais militares e civis do País. O centro receberia ainda policiais da áfrica e da América Latina. O ministro também vai procurar a CPI do Narcotráfico para trocar informações. "O presidente está decidido a lutar contra a impunidade", disse o ministro.
Dias afirmou que, antes de assumir o cargo de ministro da Justiça, não pensava que fosse "administrar uma UTI" na luta contra o crime organizado. O ministro criticou principalmente o envolvimento de policiais militares com o crime organizado e ainda a falta de preparo de todas as polícias estaduais do País. "A coisa está feia", disse. O ministro disse que é fundamental solidificar um "pacto" para unir os Três Poderes no combate ao crime organizado. "Temos que centrar força para salvar a democracia", disse.
Apesar das críticas que tem feito às polícias estaduais, o ministro evitou comentar a falta de iniciativas de alguns Estados em não combater o crime organizado com mais ênfase. "Não estou aqui para fazer crítica a este ou aquele partido", disse. O ministro afirmou que em vários casos, como as constantes rebeliões na Febem de São Paulo, a culpa é de toda a sociedade, que "deixa de cobrar" soluções.
O ministro apontou o dedo para o deputado José Genoíno (PT-SP), que estava em seu gabinete, e o definiu como um bom exemplo de pessoa que cobra soluções para os problemas sociais. Além de Genoíno, José Carlos Dias recebeu hoje vários parlamentares de oposição, entre eles o senador Eduardo Suplicy (PT-SP) e o deputado José Dirceu (PT-SP), presidente do PT, que foram cobrar maior participação da Polícia Federal na investigação da morte da prefeita Dorcelina Folador.
Dias prometeu aumentar o número de policiais federais, mas preferiu não falar sobre efetivo. O ministro deixou claro que há suspeita de envolvimento do crime organizado e que seria mais prudente não falar sobre número de pessoas envolvidas na investigação. José Dirceu disse que "há consciência do governo federal de que esta situação de violência não pode continuar".
O ministro da Justiça vai ao Acre hoje com o procurador-geral da República, Geraldo Brindeiro, e com o diretor-geral da Polícia Federal, Agílio Monteiro Filho. Os três terão reunião com o governador Jorge Viana, para acompanhar o andamento das investigações sobre o grupo narcotraficantes e de extermínio, que envolve o ex-deputado Hildebrando Pascoal. Dias afirmou que no próximo dia 16 vai sugerir a todos os secretários de segurança do País um conjunto de diretrizes para integrar as polícias estaduais com a Polícia Federal.


