Rio, 18 (AE)- O autor Dias Gomes estava coordenando para a Globo um projeto de minisséries para o Brasil 500. A idéia da direção da emissora é contar a história do País por meio de cinco minisséries. O próprio Gomes teria uma minissérie sua realizada. "Vargas", de 8 capítulos, estava prevista para ser dirigida por Walter Avancini.
Escrita em parceria com Ferreira Gullar, a minissérie foi entregue à Globo na semana passada. A série é baseada na peça "Um Tiro no Coração", que Gomes escreveu em 1982. No mesmo ano, o escritor chegou a adaptá-la para a TV, mas o projeto não vingou. "A minissérie se passa nos dias que antecederam o suicídio de Vargas, mas conta também com uma parte ficcional", disse Ferreira Gullar. Para esta semana, estava prevista uma reunião entre Gomes e o responsável pelo Brasil 500
Roberto de Oliveira, onde seria feita uma avaliação de viabilização do projeto.
Gullar e Marcílio Moraes, colaboradores frequentes de Gomes, têm outra minissérie nesse projeto, "A Invasão Holandesa", que seria supervisionada por Gomes. Na série, a invasão pelos holandeses do nordeste, em 1640, comandada por Maurício de Nassau, serve de pano de fundo para uma história de amor fictícia entre uma holandesa e um brasileiro. "Os personagens fictícios se relacionarão com os históricos, como Nassau e Vidal de Negreiros", contou Gullar. Segundo Marcílio Moraes, a pré-sinopse já foi aprovada pela Globo, contou Moraes. "Ontem mesmo, conversei com Dias sobre o projeto para acertar alguns detalhes".
A Globo tem, na gaveta, outra minissérie de Gomes. "Ninguém É de Ninguém", de 20 capítulos, tem a intenção de passar a limpo a geração de 68. Estava prevista para ser exibida no ano passado, mas não chegou a entrar em produção. Vários personagens eram inspirados em pessoas reais. A atriz Leila Diniz era uma delas. O próprio Dias Gomes estaria presente, na pele de um ex-militante do Partido Comunista que se torna dramaturgo e roteirista de TV. "Trata-se de seu único texto inédito", afirmou Gullar. "Quem sabe a Globo a produz este ano como uma forma de homenagem?"
A história se passa durante uma festa promovida por Roberto, ex-líder estudantil, atual empresário bem-sucedido e que disputa nas eleições uma vaga para o Senado. Na época em que concluiu o projeto, Gomes disse o que considerava a principal diferença entre a geração de 68 e a atual: "Nós sonhávamos com a revolução que viria e isso era um peso", afirmou. "Hoje, ninguém tem projetos ou bandeiras até porque as bandeiras foram rasgadas pela História".

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