Dias discute com Monteiro Filho envio de força-tarefa ao AC
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 29 de setembro de 1999
Por Chico Araújo (especial para a AE) 
Brasília, 30 (AE) - O ministro da Justiça, José Carlos Dias, vai reunir-se com o ministro-chefe de Segurança Institucional, general Alberto Cardoso, e o diretor-geral da Polícia Federal (PF), Agílio Monteiro Filho, para definir o envio de uma força-tarefa ao Acre que vai aprofundar as investigações sobre os grupos de extermínio e o narcotráfico que atuam no Estado. A força-tarefa foi pedida hoje a Dias por um grupo de deputados federais e estaduais do Acre, Ministério Público Estadual (MPE) e Procuradoria da República.
Além da força-tarefa, a comitiva do Acre pediu a Dias o aumento do efetivo da PF no Acre em, pelo menos, 130 homens. A PF tem hoje apenas 32 agentes no Estado, quando, em 1980, o contingente era de 130 policiais. Essa força-tarefa será composta por agentes da PF e técnicos da Receita Federal, Banco Central (BC) e Serviço de Inteligência do Exército.
A inclusão do Acre no Programa Nacional de Testemunhas, a liberação de recursos para a construção de uma penitenciária, o repasse de armas sofisticadas à Polícia Militar e uma parceria técnica entre o Ministério da Justiça, Secretaria de Segurança do Acre e PM também foram pedidos ao ministro. O deputado Fernando Ferro (PT-PE), que representou a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Narcotráfico na reunião, disse que há também na fronteira do Acre a infiltração de guerrilheiros da Colômbia e do Peru. "Esse problema do Acre é uma ameaça à segurança nacional", alertou Ferro.
"Vou avaliar cuidadosamente a situação do Acre", garantiu o ministro. "Estamos aqui selando um compromisso de atuar juntos", disse Dias, ao destacar que o governo terá todo apoio do Ministério da Justiça para enfrentar o crime organizado e o narcotráfico. Ele elogiou a atuação do governo do Acre e da PF nos episódios ocorridos recentemente naquele Estado. Dias disse que vai reestruturar a PF e a tornar, em pouco tempo, uma polícia-padrão.
Segundo a secretária de Segurança do Acre, Salete Maia, "se a Polícia Federal não atuar em conjunto com o governo acreano, o crime organizado voltará a agir com força no Estado". Segundo ela, o problema enfrentado hoje pelo Acre "não é apenas um problema nosso, mas do Brasil como um todo".
Por causa da falta de estrutura e recursos, Salete reconhece que o Estado não terá condições de enfrentar o crime organizado.
Já a deputada Naluh Gouveia (PT), que denunciou vários traficantes do Acre à CPI do Narcotráfico, disse que o aumento do efetivo da PF no Acre é indispensável. "Temos 2,1 mil quilômetros de fronteira com os maiores produtores de cocaína - a Bolívia e o Peru - e a Polícia Federal tem apenas 32 agentes no Estado." Além do aumento do efetivo policial, Naluh pediu ao ministro que a força-tarefa fique no Acre por um período mínimo de um ano.


