Brasília, 11 (AE) - O ex-ministro da Justiça José Carlos Dias deixou o cargo mantendo os ataques ao secretário nacional antidrogas, Walter Maierovitch, por sua maneira de conduzir a política de combate ao tráfico de drogas. Em entrevista coletiva
no início da noite, Dias afirmou que sua saída "vale como um gesto, como um testemunho de alguém que está vendo que por aí não vai". O ex-ministro frisou que não foi demitido, mas sim, que avisou ao presidente Fernando Henrique Cardoso que deixaria o cargo. "Ele nem teria que aceitar; eu me despedi", afirmou.
"Saio mais libertário que entrei, confiante na cidadania e confiante de que não podemos transigir com reacionários e com a direita", afirmou Dias, que permaneceu apenas oito meses a frente do ministério da Justiça. Dizendo-se uma pessoa franca, o ex-ministro falou dos motivos que o levaram a criticar Maierovitch, a quem chamou de "irresponsável" por ter revelado informações relativas a uma operação policial, que estava sendo preparada em sigilo. "Me parece inconcebível que a questão da política de entorpecente estivesse sendo tratada da maneira como estava pela Senad", disse o ex-ministro.
"A última entrevista do juiz anunciando a operação me pareceu absolutamente insuportável", continuou. "Ele, com isso
revelou todo o trabalho que vinha sendo preparado pelo Departamento de Polícia Federal, com silêncio para que a operação tivesse êxito", justificou. O ex-ministro alegou que precisava apoiar a PF. "Naquele momento, eu teria que dar um basta", justificou Dias, para quem "é inadmissível que uma secretaria tente coordenar o trabalho da Polícia Federal." José Carlos Dias recusou-se a relatar sua conversa com o presidente Fernando Henrique Cardoso, mas se disse esperançoso em que haja transformações na condução da política de combate aos entorpecentes.
Ele revelou, ainda, que na conversa com o presidente não tentou impor nada. "Quero dizer que estou saindo", disse Dias, reproduzindo o que teria dito ao presidente. O ex-ministro fez elogios ao sucessor, o atual secretário nacional de Direitos Humanos, José Gregori.
"Deixo coisas semeadas, sonhos de fazer uma grande reforma penal, de mexer com o sistema penitenciário, de fazer uma nova política de educação de trânsito e que continuarão a ser embalados, acalentados por José Gregori".
Na opinião de Dias, transmitida ao presidente, Gregori seria a pessoa mais preparada para assumir seu lugar à frente do ministério, entre outras coisas, em função do conhecimento que já tem da administração e de seu comprometimento com os direitos humanos. Prestes a retomar as atividades como advogado, Dias informou que pretende "dar palpites" em temas hoje em discussão, como a reforma do Código Penal.

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