Brasília, 11 (AE) - O ministro da Justiça demissionário José Carlos Dias está neste momento dando entrevista ao lado de seu sucessor, o secretário de Direitos Humanos do ministério, José Gregori. Dias reiterou que considerou "inconcebível" a entrevista dada pelo secretário nacional Antidrogas, Walter Maierovitch, em que este anunciou uma operação secreta de combate a drogas na fronteira com a Bolívia. A atitude dele foi "insuportável, porque revelou um trabalho que a Polícia Federal vinha fazendo sob o mais absoluto sigilo e com o seu conhecimento". "A irresponsabilidade dessa informação era intolerável", sustentou Dias.
Dias disse que tem forte esperança de que esta política, como está sendo conduzida, vai mudar, porque a repressão às drogas, conforme estabelece o Artigo 144 da C onstituição, é da Polícia Federal. "É inadmissível uma secretaria tentar coordenar o trabalho da PF", afirmou Dias em seguida, ainda sobre a atitude de Maierovitch. "Não quis criar constrangimentos ao presidente Fernando Henrique. Saio com alguns sonhos de que ainda será feita uma grande reforma penal no País, uma reforma nas penitenciárias, uma nova política de edudação de trânsito", afirmou.
José Carlos Dias manifestou, também, sua certeza de que José Gregori dará continuiidade a seu trabalho, manifestando-se feliz com a sua escolha para sucedê-lo no ministério. "Não tenho vício do poder. Poder, para mim, é instrumento de serviço", afirmou Dias. "Para mim foi difícil, penoso, deixar o meu escritório de advocacia, mas fascinante pelo desafio. Saio mais libertário do que entrei. Não podemos transigir com os reacionários e com a direita", pregou.

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