Dias aposta na aprovação do projeto que proíbe venda de armas
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sexta-feira, 14 de janeiro de 2000
Por Carla Franco, da Agência Estado 
São Paulo, 14 (AE) - O ministro da Justiça, José Carlos Dias, disse hoje estar confiante na aprovação pelo Senado, na próxima semana, do projeto que proíbe a venda de armas no País. "Eu tenho grande esperança de que o Senado marque esta posição corajosa", afirmou, pouco depois de visitar o secretário estadual de Justiça e Cidadania, Belisário dos Santos Júnior. Aprovado, o texto segue para avaliação da Câmara.
Dias é um dos principais articuladores do governo do acordo para a aprovação do projeto. Ele esteve nesta semana com o senador Pedro Piva (PSDB-SP), relator da matéria na Comissão de Relações Exteriores, contrário à proibição, e com outros senadores. "Eles acabaram se convencendo da importância do projeto", disse o ministro.
O líder do governo no Senado, José Roberto Arruda (PSDB-DF), autor do projeto, já admitiu fazer modificações no projeto original, permitindo exceções para garantir a sobrevivência da indústria de armamentos no País, como a compra por clubes de tiro, empresas de segurança privada, polícias e Forças Armadas. A venda de armas de cano longo, como espingardas
próprias para a defesa de propriedades rurais também deve ser permitida.
Indústria - De acordo com José Carlos Dias, a indústria nacional de armamentos não vai sofrer grande impacto com a aprovação do projeto que proíbe a venda de armas no País. "O impacto será pequeno porque a indústria continuará produzindo armas destinadas à polícia, às Forças Armadas e para empresas de segurança, com o controle do Estado", disse. Segundo o ministro
cerca de 90% da produção da indústria brasileira é destinada ao mercado externo. "Não é significativo o número de armas vendidas para particulares no mercado nacional."
Aprovado o projeto, o governo federal vai indenizar as pessoas que devolverem suas armas. Dias considerou a aprovação "fundamental" e "prioritária" para o governo. "A arma na mão do cidadão honesto não o defende, mas aumenta o risco contra ele próprio", afirmou.


