DIÁRIOS DE MOTOCICLETA - Motociclistas sacodem o autódromo
PUBLICAÇÃO
domingo, 05 de setembro de 2004
Karla Matida<br>Reportagem Local 
Nos quadrinhos e nas telas de cinema todo super-herói que se preze tem uma identidade secreta. Na vida real, muitos motociclistas também têm uma vida dupla, mas isso eles não escondem de ninguém. Prova disso foi o movimento do Autódromo Ayrton Senna no final de semana durante o 4º Encontro Internacional de Motociclistas.
Executivo de uma multinacional, o engenheiro agrônomo Julio Lima passa os dias da semana fazendo negócios vestindo, na maioria das vezes, terno e gravata. Quando tem folga sobe na moto e não economiza na quilometragem. Dois anos atrás foi até o Chile e rodou quase 9 mil quilômetros. No final deste ano o destino é a Terra de Fogo, na Argentina. Desta vez, a meta é percorrer 13 mil quilômetros em 28 dias.
''Eu não gosto de pescar e queria algo para fazer nas horas vagas'', explica o administrador de empresas Paulo Sores, que há um ano e meio descobriu um mundo diferente da rotina do escritório. ''Nunca tinha tido uma moto antes e agora, em 12 viagens, já percorri 18.500 quilômetros'', conta. ''Se não estou na moto, ninguém diz que sou motociclista'', garante Soares, que no dia-a-dia, muitas vezes usa terno e reserva o colete de couro, uniforme do motoclube do qual é sócio, apenas para as viagens e os encontros com os companheiros.
''É uma transformação'', explica o consultor de obras Nilton Rossato. ''A gente consegue separar uma rotina da outra e não mistura'', afirma. De acordo com Rossato, ninguém fala de trabalho quando se reúne sobre duas rodas. ''Isso aqui'', diz Lima, apontando para a moto que vale cerca de R$ 53 mil, ''traz o equilíbrio para a minha vida'', completa.


