'Dianamania' transformou os britânicos
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quarta-feira, 28 de agosto de 2002
Indalecio Alvarez<br> France Presse 
Londres Cinco anos depois da morte da princesa de Gales, a ''Dianamania'' parece ter acabado, mas deixou mudanças profundas na Grã-Bretanha.
Os britânicos consideram a morte de Diana, falecida em Paris em um acidente de automóvel, em 31 de agosto de 1997, ''o acontecimento histórico mais significativo de seu país no século XX'', mais do que a Segunda Guerra Mundial, de acordo com uma recente pesquisa.
Na opinião dos historiadores, o resultado de tal pesquisa demonstra simplesmente que a maioria dos britânicos concede mais importância aos acontecimentos que eles viveram pessoalmente do que os que datam de mais de 50 anos.
Os últimos dias 31 de agosto passaram despercebidos na Grã-Bretanha. Nenhum membro da família real assistiu, em 30 de junho de 2000, à inauguração de uma área de jogos dedicada a Diana nos jardins do palácio de Kensington, que foi sua residência.
Um projeto mais ambicioso, a construção de uma fonte no Hyde Park, no centro de Londres, continua sem ser concretizado. A ministra da Cultura, Tessa Jowell, precisou intervir para que a arquiteta americana Kathryn Gustafson fosse encarregada do projeto depois de meses de adiamentos. Jowell prometeu que o monumento estará terminado em 31 de agosto de 2003.
De resto, o fato de que não se organizem comemorações públicas choca somente os amigos de Diana, enquanto que os britânicos parecem ter posto um ponto final no assunto.
Para trás ficaram os tempos em que uma fotografia de Diana na primeira página de um jornal fazia com que este dobrasse suas vendas. Longe de causar escândalo, o livro de um dos guarda-costas da princesa, Ken Wharfe, cujas ''revelações'' são publicadas em partes aos domingos pelo Sunday Times, só levantou a questão da necessidade de reforçar o código de conduta dos seguranças da família real.
Althorp, a mansão em que Diana passou sua infância e na qual está enterrada, continua recebendo muitos visitantes, mas a emoção que estes demonstravam nos primeiros tempos desapareceu.
No entanto, com sua capacidade de expressar espontaneamente seus sentimentos afastando-se do protocolo, Diana sem dúvida transformou os britânicos de forma permanente.
''A compaixão que era capaz de expressar pelas pessoas que sofrem parecia passar uma corrente elétrica'', recorda o ex-chefe de redação do Daily Telegraph, William Francis Deedes.
Tradicionalmente reservados, os britânicos gritaram ao mundo sua dor depois de 31 de agosto de 1997, cobrindo de flores os jardins do Kensington Palace e assinando livros de condolências em todo o país.
Diana transformou, inclusive, ''a maneira com que a família real expressa suas emoções'', ''a tornou mais humana'', declarou um dos biógrafos da rainha Elizabeth, Robert Lassey, referindo-se aos funerais da rainha mãe em abril passado.


