Diálogo entre Governo e Igreja
PUBLICAÇÃO
domingo, 22 de julho de 2001
Silvana Guaiume e José Maria Mayrink Agência Estado 
A missa de encerramento do 14º Congresso Eucarístico Nacional ontem, na Praça Arautos da Paz, no Bairro Taquaral, em Campinas, reuniu 150 mil pessoas, de acordo com a organização do evento. A abertura da ópera O Guarani, do compositor campineiro Carlos Gomes, deu início à celebração, às 10h30. O vice-presidente Marco Maciel representou o presidente Fernando Henrique Cardoso no encontro católico.
Em rápida entrevista à imprensa, Maciel se recusou a falar sobre política. Elogiou o evento e disse que Fernando Henrique Cardoso receberá hoje, em Brasília, o representante enviado pelo Papa João Paulo II ao Congresso, o cardeal português José Saraiva Martins.
Segundo o vice-presidente, é preciso diálogo entre o governo e a igreja em busca de objetivos comuns. Paz, justiça e desenvolvimento, citou.
A missa de encerramento foi presidida pelo cardeal português. Pelos menos 300 bispos, que estiveram na Assembléia Geral do Congresso Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), também encerrada ontem, participaram da celebração, que reuniu ainda mil padres e os 3,2 mil delegados nomeados pelas dioceses brasileiras. A celebração durou pouco mais de três horas.
O presidente da CNBB, D. Jayme Chemello, anunciou ontem que pretende levar ao presidente Fernando Henrique Cardoso uma cópia do texto da declaração final da Assembléia Geral da entidade.
O texto do documento, intitulado Brasil, apreensões e esperanças da Igreja, aponta que um clima de angústia no País pode ser verificado no País, acrescentado que a sociedade brasileira está vivendo uma profunda crise ética, diante da qual já se manifestaram salutares reações, fazendo crescer a rejeiçao da impunidade. No texto, os bispos manifestaram a sua angústia com relação à violência e à fome do País, além de denunciarem a corrupção, a insegurança e o impasse com relação à reforma agrária. O documento diz também que o crescimento da violência pode ser fruto do desespero de muitas pessoas, mas é também uma reação diante da impunidade e consequência das injustiças existentes em nossa sociedade e da inércia em enfrentá-las.
Referindo-se ao racionamento de energia, o documento da CNBB afirma que a crise energética que despertou o povo para uma salutar atitude de austeridade, reforçou as dúvidas sobre a política de privatizações, que começa a ter graves consequências nos níveis de emprego e ativividade econômica, minando a confiança na administração pública.
De acordo com o vigário geral da Arquidiocese de Campinas e porta-voz do Congresso, José Arlindo de Nadai, o evento superou as expectativas. O porta-voz concordou com o envolvimento maior da igreja na política, conforme tem manifestado a CNBB. Um padre disse que a política é a suprema forma de caridade. É preciso ter respeito à vida e mandar para longe todo tipo de corrupção, defendeu.
O resultado prático do Congresso, para o vigário, é que os católicos estarão alertas para colocar em prática a solidariedade. Está na hora de encontrarmos maneiras de realizar uma divisão justa da terra, só assim a fome do povo pode ser saciada, apontou, lembrando que a igreja quer atenção especial às crianças e aos deficientes.
O Congresso Eucarístico teve início na quinta-feira, com diversas atividades religiosas, como debates entre os delegados, confissões, encontros e adoração do Santíssimo. Missas foram celebradas nos quatro dias na Praça Arautos da Paz e reuniram 70 mil pessoas (na abertura, quinta-feira), 45 mil (sexta-feira), 120 mil (sábado) e 150 mil (domingo).


