RIO - Nossas avós diziam que melhor era prevenir do que remediar - e não estavam erradas. O diálogo aberto sobre sexo com os filhos é o método mais eficaz para evitar a gravidez na adolescência. ‘‘As mães se preocupam em falar com as filhas, mas, em geral, os meninos não são bem-orientados’’, diz Evelyn Eisenstein. Pelo contrário: ainda predomina a mentalidade machista de que ‘‘fazer um filho’’ é sinal de virilidade. ‘‘Muitos pais acham que se aplica aquele ditado: ‘guardem suas cabras que meu bode está solto’’’, lembra o psiquiatra infanto-juvenil Christian Gauderer.
Se a gravidez acontece, três possibilidades se apresentam. A primeira é a do aborto. No ano passado, 21,6% das curetagens após aborto feitas pelo SUS foram em meninas entre 10 e 19 anos. ‘‘A interrupção da gravidez também pode deixar sequelas emocionais nos rapazes’’, aponta Gauderer. ‘‘Não é fácil conviver com a idéia de que impediu uma vida de nascer’’. A segunda hipótese é a de a criança nascer e o menino esgarçar seus laços, tanto com a namorada quanto com o bebê. É uma trajetória de fuga e rompimento com uma situação dolorosa, típica do comportamento adolescente.
Na terceira possibilidade, o garoto assume a paternidade e o relacionamento. Misturado com o orgulho de ser capaz de engravidar alguém, bate a sensação de pânico diante do desconhecido. ‘‘A primeira reação é a de surpresa; depois, vem a negação: ‘será que o filho é meu?’’’, aponta Evelyn. ‘‘Depois, surge a fase da crise aguda que, embora dolorosa, é onde surge o resgate de sua identidade’’. Consciente de que sua vida mudou, mesmo, o menino deve ser orientado a dar apoio à namorada e acompanhá-la às consultas do pré-natal.
‘‘É sempre uma opção difícil’’, diz Cláudia Oliveira. ‘‘Afinal, ele não escolheu aquela moça para ser sua esposa e mãe de seus filhos - nem pensava nisso’’. Isso explica a estatística da Associação Americana de Pediatria, que aponta: os relacionamentos entre adolescentes que se casam duram cerca de dois anos. A vida a dois é conturbada pelo fato de estarem na casa dos pais de um deles e as novas responsabilidades - e canseira que um bebê dá, mesmo num adolescente cheio de vitalidade - contribuem para desgastar o namoro.
Mais uma vez, o papel das famílias é fundamental. Elas devem se revezar nos cuidados com a criança e permitir que o casalzinho possa, ao menos de vez em quando, sair, namorar e passear como gente da sua idade. ‘‘Não deixei de fazer os programas que a gente já fazia’’, conta Rafael. ‘‘Meu filho fica com os avós ou até mesmo vai com a gente’’.

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