Diagnóstico precoce pode evitar a morte
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segunda-feira, 05 de agosto de 2002
Katia Luane<br> Agência Estado 
Brasília - Cerca de 65% dos casos de câncer de mama no Brasil são detectados apenas na fase mais avançada, alerta o presidente da Sociedade Brasileira de Mastologia (SMB), Ezio Novais Dias, entidade que promove até domingo a 3 Semana Nacional de Incentivo à Saúde Mamária. ''Esse índice é vergonhoso,'' diz ele. A detecção precoce dessa doença nos Estados Unidos e na Europa ultrapassa o porcentual de 80%. As chances de cura aumentam quanto mais cedo se descobre a doença.
Dias garante que, se o problema for identificado no início, a probabilidade de cura é ''altíssima'' acima de 90% dependendo do caso. ''A principal causa das mortes por câncer é a desinformação.'' Por isso, o médico pede às mulheres atenção a eventuais feridas na pele, caroços ou áreas mais duras no seio ou nas axilas, além de secreções saindo pelo mamilo. São indícios de algum problema, avisa Dias, que recomenda a ida imediata a um especialista diante de qualquer um desses sintomas.
Em todos os Estados, a SMB estará durante esta semana distribuindo folhetos, camisetas e veiculando propaganda com Cassia Kiss e Herson Capri com o objetivo de conscientizar a população da importância da prevenção. A mulher deve fazer o auto-exame mensalmente, de preferência na semana posterior à menstruação, e também passar por uma consulta médica anual. A mamografia é um terceiro passo obrigatório para mulheres com mais de 40 anos.
O câncer de mama é o que mais mata entre outros tumores malignos, que atingem pulmão, estômago e pele das mulheres. O Instituto Nacional de Câncer estima que, neste ano, surgirão no Brasil mais de 36 mil novos casos de câncer de mama com 9.115 mortes. Em 1975, a Organização Mudial de Saúde registrou 500 mil casos em todo o mundo. O número pulou para quase 900 mil, no ano de 2001. Segundo o presidente da SBM, a mudança do hábito reprodutivo da mulher é o único fator que, concretamente, se relaciona ao câncer de mama. A primeira gravidez ocorre cada vez mais tarde e diminuiu o número de filhos. ''Quanto maior o número de ciclos ovulatórios, maior a chance de se ter câncer de mama'', revela.
No início do século XX, a mulher ovulava no máximo 50 vezes na vida, oito vezes menos do que a média atual. Ela se casava cedo, engravidava, amamentava e quando voltava a ovular, em seguida, estava grávida novamente. E assim passavam longos períodos sem ovular. Além disso, Dias comenta que a gravidez antes dos 18 anos torna a glândula mamária mais resistente à doença.


