Quanto mais cedo, melhor. A máxima é verdadeira no diagnóstico da maioria das doenças, mas, no caso das cardiopatias congênitas, o diagnóstico precoce pode significar o dobro de chances de um recém-nascido sobreviver, além de trazer melhores resultados na cirurgia. As cardiopatias são um dos destaques da 1 Jornada de Terapia Intensiva Pediátrica do Hospital Infantil Sagrada Família que acontece nos dias 14 e 15 de setembro, na Associação Médica de Londrina (AML). O evento comemora 10 anos da UTI neonatal e pediátrica da instituição.
O cirurgião cardíaco pediátrico Gualter Pinheiro Júnior explica que as cardiopatias congênitas são anormalidades estruturais ou funcionais do coração, que se inicia com a formação do coração do feto, entre a terceira e a quinta semana de gestação. A incidência é considerada baixa - oito casos para cada mil nascidos, ''mas se a gente pensar que pode ser fatal, não é desprezível''.
A causa para o problema, segundo o médico, é multifatorial, e em apenas 15% dos casos é possível determinar o que levou ao problema. A origem pode ser genética, por exemplo a Síndrome de Down em que as cardiopatias estão mais presentes, em doenças que a mãe teve durante a gestação, como rubéola e sífilis, por uso de medicamentos, como anticonvulsivantes, ou ambiental, muita exposição da mãe a raio-X, por exemplo.
''Então, como prevenir? Se a gente só sabe 15% das causas, só consegue atuar nisso aí, evitando que a mãe se exponha à radiação, que tenha contato com pacientes com rubéola e sífilis, que não tome medicamentos'', afirma Pinheiro Júnior. Por isso, ele ressalta - o mais importante é o diagnóstico precoce, de preferência ainda no útero da mãe.
O ecocardiograma fetal, exame que diagnostica cardiopatias congênitas, não é acessível a todos, principalmente pelo seu custo. Mesmo assim não são todas as gestantes que devem passar pelo exame, apenas aquelas que têm os fatores de risco citados acima ou quando alguma malformação no coração ou mesmo alguma anomalia, mesmo que não cardíaca, apareça no exame normal de ultrasson. O médico lembra ainda que se a mãe teve um bebê com cardiopatia congênita, a chance de ter um segundo filho também cardiopata é de 2%, que aumenta para 10% de chance de um terceiro filho ter problemas, se os dois primeiros tiverem.
A importância do diagnóstico precoce, segundo o médico, se traduz no acompanhamento dessa gestante e no fazer com que o parto aconteça em um centro especializado, onde o bebê possa ser tratado, ou mesmo passar por cirurgia imediatamente após o parto. ''Se essa criança nasce em uma cidade que não tem nenhum recurso, a chance dela ir a óbito é muito grande'', alerta. Hoje, já é possível
A jornada vai reunir palestrantes de São Paulo, Curitiba e Londrina, e além das cardiopatias, serão abordados politrauma da infância, hemoterapia na criança grave e no período neonatal, e ortotanásia.

Serviço:
O evento é dirigido a médicos e profissionais de saúde. Mais informações pelo site www.iscal.com.br ou pelo telefone (43) 3373-1982

mockup