O diagnóstico precoce é fundamental para o tratamento eficiente da maioria das doenças. Mas, no caso do aneurisma cerebral, pode significar a diferença entre a vida e a morte. Estatísticas apontam que se a bolha se rompe no cérebro causando hemorragia há óbito em 50% dos casos. E se a bolha volta a sangrar em 24 horas, depois de coagulada, o risco de morte aumenta para 80%.
A primeira orientação, segundo o neurocirurgião Luiz Henrique Garcia Lopes, professor da Universidade Estadual de Londrina (UEL), é procurar um profissional se há algum caso de aneurisma na família, já que uma das causas da doença é o fator hereditário. Em uma família em que duas ou mais pessoas tiveram aneurisma, é 20% maior a chance de outros membros desenvolverem a doença.
Outra medida é ficar atento para sinais como dor de cabeça súbita, forte, diferente das demais e que causa desmaio, se a pessoa nunca teve dor e começa a ter, ou se apresenta paralisia ocular e começa a enxergar as coisas duplamente. Esses sintomas podem indicar um aneurisma rompido. ''Quando há sangramento, independente de tratamento, há uma taxa de 50% de morte. Em 15% a 20% dos casos é na hora e de 15% a 20% acontece na internação, independente de cirurgia'', ressalta.
O aneurisma é uma bolha que se forma nas artérias do cérebro, principalmente em bifurcações, onde há pontos de maior pressão. A bolha se forma e vai crescendo até chegar a um ponto que se rompe, causando hemorragia. A doença é mais comum entre as mulheres e o pico de ocorrência é entre os 40 e 60 anos de idade. ''Como o ideal é investigar antes, isso deve acontecer a partir dos 30'', recomenda.
A causa ainda não é totalmente explicada, mas além do fator hereditário e hormonal, acredita-se em predisposição. ''Há uma fraqueza nas artérias de nascença'', ressalta o médico. Fatores como hipertensão arterial, diabetes, tabagismo e colesterol alto, que alteram o sistema vascular, aumentam o risco. O estresse emocional é outro fator, tanto para formar o aneurisma, quanto para favorecer seu rompimento. ''A chance é maior de desenvolvimento, mas tem gente que não fuma, leva uma vida saudável e pode ter'', ressalta.
Não há tratamento clínico para a doença, só cirúrgico. Mas, a tecnologia trouxe um método menos invasivo e de melhor recuperação para o paciente, a embolização ou tratamento endovascular. O método é feito através da introdução de um microcatéter na artéria femoral, na região da virilha, que chega até o cérebro pelas artérias. No interior do crânio, o aneurisma é preenchido com micromolas de platina, que sem circulação de sangue, 'morre'. ''Quando o aneurisma não rompeu, é possível um tratamento programado. Além da recuperação mais rápida, esse procedimento ainda tem como vantagem o fator estético, pois não deixa cicatriz'', afirma.
No clássico, é preciso abrir o crânio para introduzir um clipe metálico no local do aneurisma. ''A cirurgia aberta ainda é feita, mas a dificuldade é que as artérias ficam profundas no cérebro e o acesso é difícil. Esse tipo de procedimento é mais agressivo, e o pós-operatório mais complicado'', ressalta.

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