Curitiba- O aneurisma cerebral é uma doença grave e consiste na dilatação de uma artéria cerebral, que caso venha a romper-se, causa derrame cerebral ou um tipo de Acidente Vascular Cerebral (AVC) hemorrágico. Cerca de 6% da população mundial é portadora de aneurisma cerebral. Das pessoas que apresentam um rompimento do aneurisma 50% não sobrevivem, 40% ficam com sequelas neurológicas graves e 10% podem sair ilesas. O diagnóstico precoce, antes de ocorrer a hemorragia, possibilita o tratamento mais seguro e eficiente.
O alerta é do especialista em neurocirurgia Paulo Passos Filho, um dos organizadores do VII Congresso da Sociedade Brasileira de Neurorradiologia Diagnóstica e Terapêutica, que encerra hoje, em Curitiba. ''O aneurisma pode ser congênito ou adquirido e os fatores que facilitam a formação da doença são aqueles de risco para qualquer doença vascular, como tabaco, pressão alta e obesidade'', esclarece o médico. Ele diz que a hemorragia costuma se manifestar no adulto jovem, entre os 30 e 50 anos e reforça que os pacientes de risco são aqueles com histórico familiar, obesos, fumantes e que apresentam sintomas neurológicos como cefaléias fora do normal.
O especialista destaca para o tratamento uma técnica que não precisa de cirurgia, chamada de embolização, realizada via endovascular. ''Por dentro da artéria se fecha o aneurisma, sem a necessidade de cirurgia aberta. Os riscos são bem menores do que uma cirurgia convencional porque não é invasiva. Em três dias o paciente está em casa'', informa Paulo Passos Filho. Ele aplica a técnica de embolização endovascular, em Porto Alegre, onde realiza, por mês, 12 cirurgias desta, pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
''Há cerca de cinco anos, o SUS já cobre este procedimento, na maior parte das grandes cidades do Brasil. O que acontece é que se trata de uma especialidade relativamente nova, então temos poucos profissionais habilitados'', disse Paulo Passo Filho, completando que essa técnica reduz os custos para o sistema porque diminui o tempo de hospitalização. De acordo com ele, apenas três centros estão aptos a formarem especialistas em embolização no país: Porto Alegre, São Paulo e Recife.
O Congresso Brasileiro discute doenças cérebro-vasculares, principalmente as esquêmicas (oclusão da artéria), além da malformação das artérias venosas e os diagnósticos e tratamento endovascular dos aneurismas cerebrais e o dos tipos de AVC esquêmicos. Participam do evento 400 profisisonais, dentre eles referências na especialidade da Espanha, França Estados Unidos e Canadá. A sociedade de neurocirurgia brasileira é a terceira maior no mundo, com mais de mil neurocirurgiões, destes só 25 estão capacitados a utilizar a técnica de embolização.

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