Curitiba - Para as pessoas que sofrem de diabetes, controlar a taxa de açúcar no sangue (glicemia) é de extrema importância para evitar ou retardar complicações inerentes à doença. No entanto, uma pesquisa inédita no Brasil, divulgada recentemente, mostrou que a maioria dos diabéticos do tipo 1 (90%) estava com controle glicêmico inadequado. Entre os que têm o tipo 2 da doença, que representaram perto de 85% do universo pesquisado, o percentual é um pouco menor (75%), mas igualmente preocupante.
O estudo, concluído em março deste ano, foi desenvolvido por cientistas do Centro de Pesquisa Gonçalo Moniz (CPqGM), unidade da Fundação Instituto Oswaldo Cruz (Fiocruz) na Bahia, e da Universidade Federal de São Paulo, com apoio da Sociedade Brasileira de Diabetes, e envolveu 6.701 pacientes de dez capitais brasileiras. Pouco mais de 400 dos diabéticos eram curitibanos.
Os dados foram obtidos por meio de exames para medição da taxa de hemoglobina glicada, capaz de refletir o grau de controle glicêmico nos últimos três meses. A Associação Americana de Diabetes recomenda que este índice não ultrapasse 7%.
Curitiba e Brasília foram as capitais que apresentaram os melhores índices de controle glicêmico entre os diabéticos tipo 2, o que não significa, necessariamente, uma posição mais confortável, observou o pesquisador da Fiocruz na Bahia, Edson Duarte Moreira Júnior. Segundo ele, o quadro nessas capitais é, também, muito ruim, pois a maioria apresentou índices superiores a 8%. Os dados gerais mostram que 74% dos diabéticos tipo 2, que administram pinsulina, têm controle glicêmico muito ruim (maior que 8%). Aproximadamente 42% dos que controlam apenas com dieta e medicação oral ficaram nessa mesma classificação.
Moreira Jr. esclarece que o objetivo inicial não era o de fazer análises comparativas entre as capitais e sim trabalhar com os dados das 10 cidades conjuntamente para ter maior representatividade. Para extratificar os dados por capital, seria preciso considerar variáveis como, por exemplo, se os pacientes entrevistados e examinados faziam acompanhamento em centros de referência (multidisciplinares) ou em locais não especilizados.
A intenção, segundo Moreira Jr., é divulgar os dados da pesquisa, com maior detalhamento, em publicações científicas e, também, entre autoridades da área de saúde para orientá-las quanto à necessidade da adoção de programas direcionados a esse público.

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