Até o final deste ano, 285 milhões de pessoas no mundo terão diabetes. O número representa 6,6% da população adulta global, mas pode ser ainda mais alarmante até 2030 quando a realidade deve subir para 438 milhões. Preocupados com essa realidade, a Fundação Mundial do Diabetes (FMD) reuniu na última semana, especialistas de 34 países para debater o assunto na Conferência sobre Diabetes para a América Latina, em Salvador (BA). O evento terminou na última sexta-feira e discutiu parcerias para lidar com o desafio de mudar os índices relacionados à doença.

Ao lado de outras doenças crônicas não transmissíveis, o diabetes é um dos principais desafios da área da saúde, principalmente em países em desenvolvimento. De acordo com a 4 Edição do Atlas da Federação Internacional do Diabetes, a doença já é responsável por 9% de todas as mortes que atingem a população adulta nas Américas Central e do Sul. O Brasil e o México aparecem entre os dez países com maior número de diabéticos.

O diretor geral da FMD, Anil Kaper, compara o diabetes a uma calamidade pública como um ''tsunami''. Segundo ele, a doença tem se manifestado em todo mundo, independente de classe social e tem matado milhares de pessoas. ''Por muito tempo o diabetes não tem sido levado a sério como deveria ser. A forma como a Aids é noticiada na mídia é desproporcionalmente maior do que o diabetes, sendo que os números nos deixam claro que o diabetes tem atingido muito mais pessoas, consequentemente, matando mais'', diz.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) prevê que no século XXI países como o Brasil serão os mais atingidos pela diabetes e a expectativa é que 70% de todos os novos casos da doença ocorram nesses locais. ''Pessoas tem morrido nesses países pela falta de condições básicas como a aquisição da insulina ou a dificuldade em se manter uma alimentação saudável'', ressalta o diretor.

Outro problema que preocupa especialistas da área é que portadores de diabetes apresentam um risco significativamente maior de sofrerem amputação dos membros inferiores, doenças cardiovasculares e derrames. Além disso, pessoas com diabetes tem muito mais facilidade em adquirir tuberculose pelo fato da doença diminuir a imunidade do paciente.

O presidente da FMD, Pierre Lefebvre, explicou que essa relação entre a diabetes e tuberculose já foi associada há muitos anos, mas só recentemente a medicina tem voltado sua atenção a isso principalmente pelos riscos de contaminação de tuberculose entre pessoas que não tem diabetes, mas que convivem com os que têm.

''A pandemia de diabetes se espalhou devido às rápidas mudanças culturais, ao envelhecimento da população, à crescente urbanização, às alterações nos hábitos alimentares, à redução da atividade física e a outros hábitos e padrões de comportamento não saudáveis. É preciso que as pessoas tenham a consciência de que é possível levar uma vida tranquila com o diabetes, mas as pessoas têm que procurar levar uma vida mais saudável no que tem vivido nos tempos de hoje'', finaliza.




Como surgiu a FMD

A Fundação Mundial do Diabetes foi criada em 2001 na Dinamarca com o objetivo de auxiliar na prevenção e tratamento do diabetes nos paises em desenvolvimento por meio do financiamento de projetos sustentáveis. Trata-se de uma organização não-governamental que já financiou 230 projetos em 90 países.


O presidente da FMD, Pierre Lefébvre: ''A pandemia de diabetes se espalhou devido às rápidas mudanças culturais, ao envelhecimento da população, à crescente urbanização, às alterações nos hábitos alimentares, à redução da atividade física e a padrões de comportamento não saudáveis''


Para o diretor geral da FMD, Anil Kaper, o diabetes é uma calamidade pública:
''A forma como a Aids é noticiada na mídia é desproporcionalmente maior do que o diabetes, sendo que os números nos deixam claro que o diabetes tem atingido muito mais pessoas, consequentemente, matando mais''

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