Dia também foi de comemoração em Rio Bonito do Iguaçu
No Paraná, o MST celebrou também ontem um culto ecumênico para comemorar os cinco anos de existência do assentamento Ireno Alves, localizado nas proximidades do município de Rio Bonito do Iguaçu (125 km a oeste de Guarapuava), além de lembrar o Dia Internacional da Luta pela Terra e os cinco anos da morte de 19 sem-terras em Eldorado dos Carajás, no Pará.
Cerca de 1,5 mil pessoas participaram da manifestação, realizada no mesmo local onde há cinco anos mais de 13 mil sem-terras invadiram a Fazenda Jacometti e ocuparam as terras. Durante a manhã, alguns integrantes do movimento apresentaram depoimentos sobre as dificuldades encontradas na época, inclusive relatos dos vários confrontos com seguranças da fazenda.
De acordo com Jaime Gallegari, membro da direção regional do MST, o assentamento Ireno Alves está situado em uma área de 27 mil hectares, onde moram 1,5 mil famílias. Ele disse que ainda existem muitas dificuldades, porém um dos principais avanços conquistados durante esses cinco anos está no setor de educação, com a construção de 10 escolas que possibilitam estudo para as crianças e os jovens.
Callegari ressaltou que existem várias reivindicações a serem feitas, entre elas a instalação de energia elétrica, o cascalhamento das estradas para facilitar o escoamento da safra e o início do planejamento ambiental para aumentar a área produtiva do assentamento. Em toda a área são produzidas cerca de um milhão de sacas de milho e 80 mil sacas de soja por ano. Temos condições de produzir muito mais, só precisamos aumentar a área.
Para José Damasceno, integrante da coordenação nacional do MST, o movimento não está perdendo força como os governos federal e estadual insistem em afirmar, mas sim, crescendo em um ritmo mais lento. Ele afirmou que o governo elegeu o MST como seu inimigo número 1. Há alguns anos o governo montou um aparato de guerra para combater o movimento e vem usando a grande imprensa para tentar minar nossas forças, mas não está tendo o resultado esperado, declarou.
No período da tarde, o MST realizou um ato público na praça central de Rio Bonito do Iguaçu, denunciando a perseguição praticada contra trabalhadores sem-terra e protestando contra a privatização da Copel. Queremos que se faça uma reforma agrária justa, que beneficie as famílias que realmente dependem da terra para sobreviver, conclui José Damasceno.
Em Curitiba, o MST reuniu membros e simpatizantes durante missa celebrada na Catedral da capital paranaense, para lembrar a morte dos sem-terra em Eldorado dos Carajás.





