DIA SEM CARRO Evento reduz circulação de carros em 42%
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segunda-feira, 22 de setembro de 2003
Andréa Lombardoe Rosana Félix<br> Equipe da Folha 
Curitiba - O ''Dia sem carro'' foi considerado um sucesso pela Prefeitura de Curitiba e pelo Instituto Ruaviva, organizador nacional do evento neste ano. Segundo medições feitas pela Diretoria de Trânsito de Curitiba (Diretran), houve redução de 42% no volume de carros particulares em circulação. Foram feitas medições pela manhã e ao meio-dia. O resultado do horário de pico (18 às 20 horas) só deve ser divulgado hoje.
Quem andou pelo centro durante a manhã não conseguiu perceber muita diferença, a não ser pelas ruas vazias onde o trânsito foi interditado. Havia lentidão em alguns trechos onde o tráfego estava sendo desviado, conforme constatado pela reportagem.
A Prefeitura de Curitiba interrompeu o trânsito em 72 quadras cerca de sete quilômetros quadrados do centro da cidade, das 7 às 19 horas. Nessas vias foi permitido o acesso de ônibus, táxis e outros veículos de serviço. Em outros quatro bairros da Capital, 14 quadras foram fechadas por iniciativa das comunidades locais. De acordo com a prefeitura, houve aumento de 25% no movimento de táxis durante o dia.
O trânsito foi monitorado em oito pontos da cidade seis fora e dois dentro da ''área livre de automóvel''. O diretor de Trânsito da Companhia de Urbanização (Urbs), Lanes Randal Prates, calcula que 100 mil veículos deixaram de circular. A adesão à campanha superou a expectativa da Urbs, que estimava que 67 mil carros ficassem nas garagens ontem. A quantidade de bicicletas circulando pelas ruas de Curitiba também aumentou. A Urbs colocou 135 ônibus a mais nas ruas. Somente amanhã, o órgão terá um balanço do quanto cresceu o número de passageiros no sistema de transporte coletivo.
Para alguns, o bloqueio de ruas acabou representando prejuízo financeiro. Esse foi o caso de um estacionamento na Rua Marechal Deodoro (uma das vias bloqueadas) que, diariamente, recebe uma média de 400 carros, faturando cerca de R$ 2 mil. Como não havia movimento nenhum pela manhã, o encarregado do estacionamento, Gabriel Dorneles, informou que os funcionários iriam ser remanejados para cumprir expediente em outros estabelecimentos da rede. ''É uma campanha. Temos que cumprir'', afirmou. O gerente de um estacionamento na Rua Marechal Floriano Peixoto, Sidnei Freitas Ferreira II, percebeu uma redução de aproximadamente 10% pela manhã, apesar do estabelecimento estar numa via onde o trânsito estava liberado. ''Acho que o pessoal se conscientizou e deixou o carro em casa'', avaliou.
Nas outras grandes cidades brasileiras que participaram do ''Dia sem carro'', como Porto Alegre, Recife e Belo Horizonte, a adesão não foi muito grande, de acordo com informações de jornais regionais na Internet e do site do Instituto Ruaviva.


