A parcela de brasileiros que faz uso racional da água ainda representa uma gota num mar de desperdício. Sozinhos, eles são impotentes para evitar a futura escassez deste precioso líquido no País que joga fora anualmente 5,8 bilhões de metros cúbicos de água tratada, o suficiente para abastecer França, Bélgica, Áustria e o norte da Itália, segundo estudos recentes. Mas quem economiza sabe que, além de estar fazendo sua parte para minimizar um problema coletivo, também pode aliviar o próprio bolso. Hoje, Dia Mundial da Água, a Folha mostra exemplos de soluções inteligentes adotadas em Londrina.
Uma delas é a utilização de hidrômetros individualizados, principal arma dos condôminos do edifício Alpha (Zona Sul), para reduzir despesas com água. Cada um dos 24 apartamentos tem seu próprio medidor de consumo de água e apenas os gastos coletivos, como lavagem de garagens, são divididos. A idéia é simples: quem gasta pouco, não precisa pagar pelo desperdício dos outros; e quem costuma gastar muito, leva um susto com a conta individual e passa a repensar seus hábitos de consumo.
''Tem que ser assim, porque num prédio há tanto usuários cuidadosos quanto aqueles mais relaxados. Aí o morador pensa: 'Se eu sei que a conta vai ser rateada, por que vou me preocupar com uma simples torneira pingando?''', ilustra o síndico Anésio Ribas Bueno Neto, 52 anos. Com a conta individualizada, diz ele, a média de gastos com água por apartamento fica entre R$ 20,00 e R$ 25,00.
Em outro condomínio recém-inaugurado no Centro, o empresário já computa 20% de economia com manutenção graças a um sistema de aproveitamento de água da chuva. ''É bem simples: consiste numa caixa para captação da água pluvial, tubulação, filtro e distribuidores. Quando chove, a água é armazenada e depois canalizada para a manutenção de áreas comuns, como garagens e jardins'', explica.
Bem mais ousado é o ''sistema de tratamento por zona de raízes'' implantado há oito meses pelo engenheiro civil Marcos Holzmann, 47, no condomínio horizontal Royal Park (Zona Sul). Atualmente, o mecanismo serve apenas para tratar o esgoto do residencial, mas Holzmann está empenhado em convencer os órgãos ambientais de que a água resultante do processo é tão limpa que pode ser usada até para irrigar hortas. Segundo Holzmann, o sistema é largamente utilizado na Europa, mas ainda pouco difundido no Brasil. Ele investiu R$ 100 mil para implantá-lo no condomínio e a única manutenção necessária é esvaziar o tanque uma vez por ano.

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