É possível parar de fumar sem sofrer. Um grupo londrinense de ex-fumantes está vencendo a guerra contra o cigarro sem crises de abstinência, noites insones e ataques de mau-humor. Isso graças a um programa criado há 3 anos pela fisioterapeuta Ana Luiza Oliveira Prado Souza e pela dentista Andrea Carraro de Oliveira Badin. As duas se especializaram em prevenção e tratamento do tabagismo e já ajudaram dezenas de pessoas a ficar livres do fumo.
A comerciante Maria de Lourdes Pisicchio está sem fumar há 3 meses e meio. ''Fumei durante 22 anos e achei que estava na hora de parar. Eu tenho um medo terrível de ter um câncer'', confessa. O medo também foi a força motriz do entregador Gabriel Fernandes: ''Eu achava que ia ter um câncer na garganta, principalmente de manhã quando acordava com a garganta queimando'', lembra. Ele fumou durante quase 30 anos e está há 8 meses livre do vício.
A comerciante Sueli Souza resolveu parar de fumar pensando não no que o cigarro poderia fazer com ela, mas nas coisas que ela poderia fazer sem o cigarro. ''Eu comecei a praticar corrida e estava rendendo bem. Então, eu imaginei quanto eu conseguiria correr se não fosse pelo cigarro''. Ela está sem fumar - e correndo cada vez mais - há cinco meses.
Quem já passou pela tentativa de deixar o vício sabe que não é fácil. ''Eu achava que nunca ia conseguir parar. A primeira coisa que eu fazia quando acordava de manhã era acender um cigarro'', lembra Maria de Lourdes. Tentei parar de fumar sozinha três vezes e foi só sofrimento e frustração''.
Quando começa o tratamento, cada paciente determina uma data para fumar o último cigarro. ''No dia marcado, eu comprei três maços e queria fumar todos, para aproveitar bem. Hoje eu penso nisso e dou risada'', conta Sueli.
Ao contrário do que temiam, ninguém ficou maluco com a falta da nicotina. O tratamento inclui remédios que ajudam nos primeiros tempos de abstinência. ''Eu não sofri nada'', garante Gabriel. ''Achei tão incrível que fiquei com medo do que iria acontecer quando terminasse o remédio, mas não aconteceu nada. Parecia que eu nunca tinha fumado''.
''O mais difícil é tomar a decisão de parar'', ensina Luis Antonio Casaroli, agrônomo. Ele fumou durante 30 anos e está sem cigarro há um ano e meio. ''Gosto de falar que sou um fumante que parou de fumar e não um ex-fumante. Não tenho mais vontade, mas não arrisco''. A maioria concorda com ele. ''Às vezes vem aquela vontade, mas eu digo que não é vontade, é a lembrança. E logo passa'', aponta Sueli. Nenhum deles sofreu recaída durante o tratamento.
A alegria de descobrir que são mais fortes do que o vício é contagiante entre os membros do grupo. Eles também compartilham a vontade de querer ajudar outros fumantes: ''Eu convidei o namorado da minha filha para participar do grupo'', diz Sueli.
Luis se propôs a pagar o tratamento para seus funcionários e José Ronchi quer fazer a mesma coisa com os familiares. ''Minha idéia é formar um grupo na minha igreja e bancar os remédios para quem precisar'', completa. Ele já fez as contas até do custo benefício do tratamento: ''Estou sem fumar há 9 meses. São 270 dias. Se eu tivesse fumado um maço por dia, teria gasto R$ 576. Ora, isso já paga o tratamento e ainda sobra dinheiro para uma cerveja''.

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