Dia Internacional da Mulher faz amanhã 90 anos de criação7/Mar, 21:23 Por Lígia Formenti São Paulo, 07 (AE) - O Dia Internacional da Mulher, comemorado amanhã (08), completa 90 anos de criação. Nesse período, houve conquistas, mas, para líderes de movimentos que lutam pelos direitos da mulher, há ainda muito a ser feito. Neste ano, o tema do Conselho Nacional da Condição Feminina é a maior participação da mulher na política. O conselho de São Paulo, por isso, vai realizar a partir deste mês cursos para candidatas a prefeita. Nos encontros, serão discutidos temas que vão da ética na política até como angariar recursos para campanha. "Percebemos que, neste ponto, as candidatas ainda derrapam", diz a presidente do Conselho Estadual da Condição Feminina, Maria Aparecida De Laia. Além disso, diz ela, as candidatas enfrentam resistência de colegas, mesmo após a fixação das cotas, com as quais os partidos devem reservar uma porcentagem de vagas para mulheres. "Muitos homens na política compreendem e lutam pelos direitos das mulheres", diz Maria Aparecida. "Mas, se houvesse maior número de representantes femininas, os temas importantes teriam mais chances de ser aprovados." Entre eles, conta, está o financiamento da casa própria. "Hoje, 43% das mulheres são chefes de família", lembra. "No entanto, os salários delas ainda são menores." A diferença do rendimento médio entre mulheres e homens pode ser notada na última pesquisa da Fundação Sistema Estadual de Análise de Dados (Seade), divulgada na semana passada. Realizado em 3 mil domicílios durante o ano de 1999, na Grande São Paulo, o estudo constatou que o rendimento médio mensal dos homens é R$ 1.091,00 e o das mulheres, R$ 688,00. A disparidade já foi maior. "A diferença dos salários vem diminuindo", diz a economista da fundação, Sandra Brandão. O estudo mostra que, pelo quinto ano consecutivo, a oferta de mão-de-obra feminina cresceu. Outro problema que ainda afeta as mulheres é a falta de estrutura assistencial. Estudo feito pela Universidade Estadual Paulista (Unesp) com trabalhadoras das indústrias de calçados de Franca demonstrou que as mulheres apresentam queda de produtividade e sofrimento psíquico. Os problemas, de acordo com o trabalho, são provocados pela inexistência de infra-estrutura de apoio. A autora do estudo, professora Cléria Maria Lobo Bueno, visitou três indústrias da região e ouviu trabalhadoras entre 22 e 56 anos, a maioria com filhos. Das unidades visitadas, apenas uma contava com creche. Segundo Cléria, obrigadas a deixar seus filhos com avós ou com vizinhas, as trabalhadoras ficavam agitadas e deprimidas, principalmente quando a criança tinha problemas de saúde. Muitas relataram ter-se acidentado, por estar sob tensão. A pesquisadora também constatou um sentimento de indignação das mulheres por ganhar até 40% menos do que os homens. Apesar disso, o estudo detectou que o grupo de trabalhadoras com filhos faltava menos do que o restante. Para Cléria, isso se deve à dificuldade em ser admitida nas empresas. "Não há como negar que as conquistas, ao longo desses 90 anos, foram inúmeras", diz Maria Aparecida. "Mas dizer que há igualdade entre os gêneros é não querer ver a realidade."

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