Principais centrais sindicais do Brasil comemoraram a data com megashows e desfile pacífico em São Paulo; no Paraná, além de celebrações religiosas, houve manifestação de movimentos ligados à ética e aos direitos humanos que pediram a cassação do governador do Estado
As duas principais centrais sindicais do Brasil, Força Sindical e Central Única dos Trabalhadores (CUT) comemoraram ontem o Dia do Trabalho com mais música do que reivindicações. Em São Paulo, mais de um milhão de pessoas responderam ao chamado da Força Sindical e se concentraram desde cedo na praça Campo de Bagatelle, em Santana (zona norte), para assistir a um espetáculo com a presença de 40 cantores populares.
Para atrair as pessoas, a Força Sindical anunciou o sorteio de 10 veículos e cinco apartamentos. A festa de quase um milhão dólares foi financiada por empresas que divulgavam seus produtos no evento. ‘‘O trabalhador não quer só protestar. Também quer se divertir’’, justificou Paulo Pereira da Silva, presidente da Força Sindical.
Antes do megashow, discurso pedindo melhores condições de trabalho e lembrando que a ‘‘globalização deve responder às necessidades dos trabalhadores’’ foi feito pelos dirigentes sindicais. ‘‘Para não perder o espírito da data.’’
A CUT, ligada ao Partido dos Trabalhadores (PT), organizou uma manifestação no centro da cidade contra o governo do presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB), contra a corrupção, a globalização e a criação da Área de Livre Comércio das Américas (ALCA), além de pedir melhores salários e mais empregos.
A CUT esperava convocar 100 mil militantes, mas somente 2 mil participaram de um desfile pacífico, segundo a polícia . A CUT também organizou um show, com a presença de três cantores de samba e forró, para o qual se esperava a presença de 200 mil pessoas no final da tarde.
A Força Sindical aproveitou a data e lançou campanha pelo fim da obrigatoriedade do serviço militar. Segundo o presidente Paulo Pereira da Silva, muitos jovens de 17 e 18 anos não conseguem emprego porque as empresas não os contratam por estarem em período de serviço militar.
A proposta foi encampada pelo deputado federal Luiz Antonio Fleury (PTB-SP), que participou da festa. O parlamentar disse que iniciou a coleta de assinaturas na Câmara para encaminhar um projeto de emenda constitucional sobre a matéria.
No Rio, seis pastorais da Arquidiocese se juntaram aos movimentos de trabalhadores para protestar contra a corrupção e ‘‘um sistema econômico concentrador de riquezas nas mãos de poucos’’.
No Rio Grande do Sul, duas manifestações reuniram cerca de 6 mil pessoas. Na Bahia, cerca de 3 mil participaram da manifestação promovida pela CUT. As faixas e cartazes pediam a cassação dos senadores Jader Barbalho, José Roberto Arruda e também do baiano Antonio Carlos Magalhães. Em Minas Gerais, manifestantes queimaram bandeiras dos Estados Unidos.

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