Dia do Trabalho tem mais música e menos reivindicações em SP
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terça-feira, 01 de maio de 2001
Das agências De São Paulo 
Principais centrais sindicais do Brasil comemoraram a data com megashows e desfile pacífico em São Paulo; no Paraná, além de celebrações religiosas, houve manifestação de movimentos ligados à ética e aos direitos humanos que pediram a cassação do governador do Estado
As duas principais centrais sindicais do Brasil, Força Sindical e Central Única dos Trabalhadores (CUT) comemoraram ontem o Dia do Trabalho com mais música do que reivindicações. Em São Paulo, mais de um milhão de pessoas responderam ao chamado da Força Sindical e se concentraram desde cedo na praça Campo de Bagatelle, em Santana (zona norte), para assistir a um espetáculo com a presença de 40 cantores populares.
Para atrair as pessoas, a Força Sindical anunciou o sorteio de 10 veículos e cinco apartamentos. A festa de quase um milhão dólares foi financiada por empresas que divulgavam seus produtos no evento. O trabalhador não quer só protestar. Também quer se divertir, justificou Paulo Pereira da Silva, presidente da Força Sindical.
Antes do megashow, discurso pedindo melhores condições de trabalho e lembrando que a globalização deve responder às necessidades dos trabalhadores foi feito pelos dirigentes sindicais. Para não perder o espírito da data.
A CUT, ligada ao Partido dos Trabalhadores (PT), organizou uma manifestação no centro da cidade contra o governo do presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB), contra a corrupção, a globalização e a criação da Área de Livre Comércio das Américas (ALCA), além de pedir melhores salários e mais empregos.
A CUT esperava convocar 100 mil militantes, mas somente 2 mil participaram de um desfile pacífico, segundo a polícia . A CUT também organizou um show, com a presença de três cantores de samba e forró, para o qual se esperava a presença de 200 mil pessoas no final da tarde.
A Força Sindical aproveitou a data e lançou campanha pelo fim da obrigatoriedade do serviço militar. Segundo o presidente Paulo Pereira da Silva, muitos jovens de 17 e 18 anos não conseguem emprego porque as empresas não os contratam por estarem em período de serviço militar.
A proposta foi encampada pelo deputado federal Luiz Antonio Fleury (PTB-SP), que participou da festa. O parlamentar disse que iniciou a coleta de assinaturas na Câmara para encaminhar um projeto de emenda constitucional sobre a matéria.
No Rio, seis pastorais da Arquidiocese se juntaram aos movimentos de trabalhadores para protestar contra a corrupção e um sistema econômico concentrador de riquezas nas mãos de poucos.
No Rio Grande do Sul, duas manifestações reuniram cerca de 6 mil pessoas. Na Bahia, cerca de 3 mil participaram da manifestação promovida pela CUT. As faixas e cartazes pediam a cassação dos senadores Jader Barbalho, José Roberto Arruda e também do baiano Antonio Carlos Magalhães. Em Minas Gerais, manifestantes queimaram bandeiras dos Estados Unidos.


