O Dia do Trabalhador Rural foi marcado ontem por saques, protestos e vigílias em pelo menos oito Estados brasileiros. O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) comandou a maior parte dos atos, com o apoio da Comissão Pastoral da Terra (CPT) e Federação dos Trabalhadores na Agricultura (Fetape).
Diferentemente do ano passado, quando houve mortos em protestos e confrontos, a violência foi baixa. Só houve confronto, com feridos, na Paraíba . Além de reivindicações como mais terra e créditos agrícolas, os atos deste ano pediam políticas de combate à seca e também reivindicações locais.
Pernambuco registrou a maior parte dos protestos. Moradores da Zona da Mata, Agreste e sertão bloquearam três rodovias, saquearam dois caminhões e anunciaram a invasão de 54 propriedades rurais no Estado.
As manifestações, que envolveram cerca de 8 mil pessoas, de acordo com os movimentos, foram contra a reforma agrária do governo federal e o plano ‘‘Sertão Cidadão’’, de atendimento aos flagelados da seca.
Foram saqueados um caminhão carregado com charque, arroz e refrigerantes e uma caminhonete com café, na BR-101, em Gameleira, na zona da mata, e na PE-430, em São José do Belmonte, na fronteira com o Ceará. No de Gameleira, cerca de 500 sem-terra bloquearam a rodovia.
A PM foi ao local, mas não houve confronto. Enquanto a polícia se mantinha na área do bloqueio, um grupo saiu e saqueou o caminhão em outro trecho da BR-101, segundo o coordenador do MST na zona da mata Sul, Edílson Barbosa. Não foi prestada queixa do saque e o MST não informou a quantidade de produtos levados.
O segundo saque ocorreu depois que o juiz de São José do Belmonte, Assis Timóteo, foi ao local e pediu aos sem-terra para deixarem a área sem conflito e sem saque. Eles prometeram acatar o pedido, mas com a saída do juiz, voltaram a bloquear a estrada e saquearam uma caminhonete da empresa Indústria de Torrefação e Moagem Café Maratá, de Sergipe, dirigida por Irandir do Nascimento Santana, que transportava 30 quilos de café.
O terceiro bloqueio foi na BR-232, em Caruaru, no agreste, seguido de ato público em frente a Companhia de Armazéns Gerais de Pernambuco (Ceagepe), na cidade.

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