Frutas, verduras, legumes e a tradicional barraquinha de pastel. Seria uma feira comum, se nela as pessoas não encontrassem também calcinhas, cuecas, guarda-chuvas, chinelos, CDs, DVDs, aparelhos eletrônicos, brinquedos e artesanatos em geral.
É nesse clima diversificado e animado que jovens e adultos, moradores da região norte e cidades vizinhas frequentam o local nas manhãs de domingo. Quem percorre a extensa feira, localizada na avenida Saul Elking (em frente ao Centro Cultural Zona Norte), pode sentir a alegria dos que passeiam e a felicidade no olhar dos que lá trabalham.
O casal Santin Corsi e Luiza Joana Corsi, que mora no conjunto Semíramis Braga, trabalha há 21 anos na feira consertando penelas. Sorridente e feliz, seo Santin confessa que, apesar de trabalhar em outras feiras da cidade, a feira do ''Cincão'', como diz, é a que reúne mais clientes. ''Graças a Deus não tenho do que reclamar. Aqui aparece até turista'', diz.
É com a mesma empolgação que o gerente de posto de combustíveis, Bruno Pedro de Souza, morador do conjunto Parigot de Souza, reserva os domingos para trabalhar na feira. Lá ele comercializa camisetas de times de futebol para adulto e criança. Segundo ele, é grande a procura por roupas para crianças de até seis ano. ''Vendo bem, mas o povo anda muito sem dinheiro. Aqui, a cada quatro camisetas vendidas, três são do Corinthians'', brinca Souza, que assume ser torcedor do clube.
Para os que não têm uma barraca fixa, o negócio é dar um jeito de chamar a atenção do cliente. Jovino de Oliveira, morador do conjunto Vivi Xavier, percorre a feira carregando nas costas uma tarrafa feita por ele mesmo. Segundo o aposentado, ele leva um mês para fazer a rede de pesca que comercializa ''baratinho, baratinho''. Orgulhoso, ele diz Já faz uns 10 anos que eu frequenta e comercializo na feira.
Para o casal Edino Dias da Silva e Edenir Viana da Silva, que mora no conjunto Violim, ir até à feira aos domingos já virou tradição familiar. Além de atender o desejo do filho de um ano, que já está habituado com a agitação da feira. O passeio também é uma oportunidade para encontrar amigos.
''Frequentamos a feira desde que nos mudamos para cá, há uns cinco anos mais ou menos. Gosto muito das frutas e legumes e meu filho adora comer pastel. Digo que nosso café da manhã de domingo é na feira'', comenta Edenir.
A feira têm atraído pessoas de outras cidades. São casos como o da secretária Andréia Gonçalves de Oliveira, que mora em Arapongas (37 km a oeste de Londrina). Todos os domingos, ela, o marido e a filha de oito anos vêm a Londrina ''por causa da feira'', sempre há algo diferente para se comprar. ''Tenho muitos amigos aqui e minha filha já está acostumada. Ela mesmo pede pra vir, principalmente por causa do pastel. Ela adora''.

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