Dia de Combate às Drogas tem queima recorde
A queima de 140 toneladas de entorpecentes, anunciada como a maior já realizada em todo o mundo pelo ministro da Justiça, José Gregori, marcou ontem o Dia Nacional de Combate às Drogas. O ato ocorreu na usina de Cubatão da Companhia Siderúrgica Paulista (Cosipa) e a previsão era de que toda a droga iria virar cinza em 15 horas, razão que levou a Polícia Federal a optar pelo autoforno da siderúrgica.
A droga queimada ontem é procedente do Mato Grosso do Sul e chegou à Baixada Santista em sete carretas. Para garantir a chegada em segurança ao destino, a Polícia Federal mobilizou 300 homens, 40 veículos e dois helicópteros.
No balanço apresentado pela Polícia Federal, foram abertos nos últimos doze meses 505 inquéritos, 458 traficantes foram presos, enquanto 205 veículos e um avião foram apreendidos. Da droga que foi incinerada ontem, em Santos, 139 toneladas eram de maconha, além de 800 quilos de cocaína, 24 quilos de haxixe e 214 lança-perfumes.
Lembrando que há exatamente um ano a queima foi de 40 toneladas de droga, o ministro da Justiça, José Gregori, atribuiu o aumento do volume para 140 toneladas à eficiência e capacidade de ação da Polícia Federal. Segundo ele, não houve nesse período o aumento de três vezes na oferta de drogas no último ano, não crescendo, portanto, na mesma proporção do que a apreensão.
O diretor-geral da Polícia Federal, Agílio Monteiro Filho, revelou que a operação de transporte das 140 toneladas de entorpecentes de Campo Grande a Cubatão custaram ao órgão R$ 100 mil. Ele justificou a longa viagem: Não há no Mato Grosso do Sul um forno com capacidade para incinerar esse volume de drogas e a única alternativa existente iria demandar um prazo de 20 a 30 dias para queimar todo o produto.
O delegado da Polícia Federal Gilberto Tadeu Vieira Cezar explicou que a maconha vem compactada e isso dificulta sua queima. Numa fogueira, ela leva dias e dias para virar cinza.
A experiência realizada ano passado numa siderúrgica do Mato Grosso do Sul, com 48 toneladas, levou quase seis dias e por pouco não estragou o forno.
Quando foi determinado o volume que seria incinerado, duas empresas do Estado de São Paulo foram contactadas e a escolha recaiu sobre a Cosipa, que fez uma parceria para queimar a droga. A droga foi queimada num carro-torpedo, equipamento usado para levar o aço para o autoforno. Dentro do torpedo havia ferro-gusa a uma temperatura de 1.350 graus, suficientes para transformar rapidamente a droga em cinzas.
A PF pediu o registro no Guinness Book (livro dos recordes).





