Dia de combate à aids é lembrado em vários países
Nações Unidas, 01 (AE-AP) - O Dia Mundial de Combate à Aids, hoje (01), foi marcado por manifestações e eventos em vários países. A Organização das Nações Unidas (ONU) divulgou hoje um novo estudo com estatísticas sobre os futuros órfãos da aids, crianças cujos pais morrem vítimas da doença. O relatório do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) e do Programa da ONU contra a Aids (Unaids), divulgado em Genebra, indica que até o fim de 2000 o número de órfãos chegará a 13 milhões no mundo, sendo que 10,4 milhões terão menos de 15 anos. Para este ano, a organização registrou 11 milhões.
De acordo com o documento, desses 13 milhões de órfãos, 95% são crianças da áfrica subsaariana. "A epidemia da aids transformou a áfrica subsaariana em um campo de extermínio, criando uma crise de órfãos de proporções épicas, o que requer uma resposta emergencial", informa o relatório dos órgãos.
Os órfãos, afirma o documento, correm maior risco de ficarem desnutridos do que as crianças que têm pais. Além disso, geralmente, sofrem discriminações por serem filhos de soropositivos. Ficam sem frequentar a escola, sem cuidados médicos e socialmente isolados.
O relatório da ONU revela que, antes do surgimento da doença, aproximadamente 2% das crianças nos países em desenvolvimento eram órfãs. Em 1997, por causa da doença, essas taxas chegaram a 11% em alguns países.
A ONU recomenda que os países atingidos façam um esforço concentrado para prover um bom nível educacional às crianças e as orientem para a prática de sexo seguro.
Hoje, o secretário-geral da organização, Kofi Annan, pediu o fim da "conspiração do silêncio" sobre a doença, contribuindo para que a ignorância sobre o vírus se dissemine, assim como a discriminação em relação a suas vítimas.
O diretor-executivo da Unaids, o médico Peter Piot, disse hoje ao divulgar o relatório que ainda faltam, no mínimo, cinco anos para que se obtenha uma vacina eficaz contra o vírus. "Temo que seja muito tempo", disse.
Sobre um possível imunizante, o médico francês Luc Montaigner
um dos responsáveis pela descoberta do vírus, pediu hoje apoio dos governos nas pesquisa. Montaigner disse que, se não houver mudanças na forma como os Estados encaram a doença, uma vacina eficaz só surgirá em 30 anos. "É uma difícil tarefa para tentar erradicar a epidemia, mas acredito que nós conseguiremos", afirmou, lembrando que os governos devem ser menos burocráticos, pois há muitas possibilidades a ser testadas.





