Dia de celebrar a vida
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sábado, 11 de maio de 2013
Marian Trigueiros<br> Reportagem Local 
No dia em que completa mais uma primavera, a cearense Maria de Lourdes Fernandes Moraes diz que não poderia receber um presente melhor. Os oito filhos, mais netos, bisnetos e irmãos vieram de vários cantos do país para celebrar duas datas importantes: o Dia das Mães e o aniversário de 80 anos da matriarca. No total, são cerca de 75 pessoas de todas as gerações. Quem a conhece diz que a sorridente senhora possui sabedoria admirável e um coração que não cabe dentro dela. "Quando completei 70 anos, meus filhos comentaram que fariam uma maior ainda na festa de 80 anos. E aqui estamos nós todos reunidos de novo e com mais familiares dessa vez. Esses dez anos passaram muito rápido", conta emocionada.
Dona de uma história de dedicação à família, à igreja e à educação, Maria de Lourdes sempre teve a preocupação de compartilhar o amor com eles, sobretudo nos momentos de dificuldade. "Só o amor alimenta a alma."
Nascida em Várzea Grande, uma cidadezinha no interior do Ceará, viveu até os 25 anos, onde conheceu seu marido e teve os primeiros cinco filhos. "Meu pai era barbeiro e minha mãe doméstica. E mesmo com a vida simples do interior, nunca nos faltou nada", lembra. Apesar disso, perdeu o pai com apenas 16 anos e a mãe dois anos depois. "Ela se foi um mês ante do meu casamento."
Diante dos percalços que a vida reserva, não se deixou abater. Curiosa por natureza desde a infância, foi nessa época que começou a lecionar para crianças da região. "Tinha que ajudar em casa de alguma forma após o falecimento de meu pai." Para ganhar algum dinheiro, ensinava o que chamavam de "carta do ABC" e depois as sílabas; um preparatório à introdução da cartilha. No tempo livre, frequentava festas religiosas e do arroz, agricultura que movimentava a economia da cidade. "Numa delas, conheci meu marido. Nos entendemos desde o primeiro momento", revela Maria de Lourdes, completando que sabia que havia encontrado seu grande amor.
Da união que veio pouco tempo depois, não demorou muito para que os filhos começassem a chegar. "Foi um atrás do outro; uma escadinha mesmo", conta, em meio a risadas. E foram cinco. Dividindo-se entre os cuidados da casa e dos filhos, enquanto o marido trabalhava na plantação de arroz, a vontade de tentar a vida no sul apareceu. "Alguns parentes já tinham vindo para a região, quando o café começava a virar um negócio lucrativo." Assim, deixaram tudo no Nordeste. "Saímos com cinco crianças, uma delas bebê de colo, enfrentamos oito dias entre viagem de ônibus de estrada de terra e depois trem, rumo a Jaguapitã."
A família que aqui chegava passou por propriedades de algodão, café e arroz em cidades como Faxinal e Guaraci, além de Jaguapitã. "Vieram mais quatro filhos neste período. Enquanto isso, os mais velhos começaram a ajudar o pai na lavoura. Mas mesmo com toda a responsabilidade de mãe, não deixava de lecionar para as crianças da região, inclusive as minhas", diz Maria. Anos se passaram e, cientes de que a educação era o caminho para um futuro melhor, os filhos mais velhos foram para a cidade de Santo André, em São Paulo, continuar os estudos e trabalhar.
Os novos caminhos e escolhas dos filhos que foram para outras cidades, anos depois, fizeram com que ela e o marido também se mudassem para a capital paulista, onde ficaram pouco tempo devido ao falecimento dele, há 20 anos. "Mas, de alguma forma, sempre estávamos unidos." Nesse ínterim, a morte de um filho, que deixou três crianças pequenas, só reforçou os valores de união que tanto disseminou. "Hoje, minha nora e seu novo marido são como meus filhos. Ele ajudou a criar e deu amor aos meus netos. Eu só posso retribuir com mais amor."
De volta a Londrina na última década, se diz realizada por suas escolhas, como o trabalho voluntário de vicentina na Igreja, e pela família que conquistou."Posso dizer que a vida valeu muito a pena e continua valendo, principalmente por saber que um dia vou partir, mas vou deixar essa família linda. É minha semente que vai ficar: 9 filhos, 15 netos e 14 bisnetos. Isso é felicidade; ver a vida se renovando. Não preciso de nada mais", enfatiza, mostrando orgulhosa fotos da prole espalhadas pela sala de sua casa.


